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Tentativa de adiar votação que dá autonomia ao BC pode ser estratégia para recriar ministério

Líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), reconheceu que há demanda para recriar o antigo MIDC - Marcos Oliveira/Agência Senado
Líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), reconheceu que há demanda para recriar o antigo MIDC Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Fabrício de Castro e Daniel Weterman

23/10/2020 07h02

Nos bastidores, a tentativa de adiar a votação que dá autonomia ao Banco Central foi vista como estratégia para recriar o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), hoje área vinculada ao Ministério da Economia. A autonomia faria o presidente do BC perder o status de ministro, abrindo margem para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recriar uma pasta, distribuir cargos ao Centrão e dizer que não estaria aumentando a quantidade de ministérios na Esplanada.

"O projeto faz parte de uma pauta econômica forte que o governo vem negociando com a oposição. Toda matéria que demora muito chega a um momento em que fica madura", disse o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO).Ele reconheceu que há demanda para recriar o antigo MIDC, mas pontuou que o Planalto não está condicionando uma coisa a outra. "Dar autonomia ao BC só para isso não é o ponto central."

Na Câmara existe outra proposta de autonomia do BC, sob a relatoria do deputado federal Celso Maldaner (MDB-SC) e patrocínio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Uma diferença fundamental do projeto da Câmara é que ele prevê apenas dois objetivos para o BC: estabilidade de preços e estabilidade financeira. Tanto o projeto da Câmara quanto o do Senado preveem mandatos fixos para os diretores do BC, com regras específicas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.