PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

BC da Austrália reduz taxa básica de juros de 0,25% para 0,10%

Isadora Duarte, com agências internacionais

São Paulo

03/11/2020 07h17

O Banco Central da Austrália (RBA, pela sigla em inglês) decidiu nesta terça-feira, 3, cortar a taxa básica de juros do país de 0,25% para 0,10%. Foi a primeira revisão após sete meses de manutenção da taxa em uma tentativa de recuperar a economia da recessão induzida pela pandemia da covid-19. "Com a Austrália enfrentando um período de alto desemprego, o Reserve Bank está comprometendo-me a fazer o que puder para apoiar a criação de empregos", disse o presidente da autoridade monetária, Philip Lowe.

Além do juro básico, o BC australiano reduziu a meta para o juro do bônus soberano de três anos, igualmente de 0,25% para 0,10%. O RBA também anunciou que vai comprar 100 bilhões de dólares australianos (US$ 70 bilhões) em títulos do governo com vencimentos de cinco a 10 anos ao longo dos próximos seis meses.

Lowe anunciou a série de medidas para estimular a atividade econômica, afirmando que o banco considerou necessário impulsionar ainda mais a demanda e acelerar a reparação de um mercado de trabalho dizimado pela pandemia da covid-19. "A combinação das compras de títulos do RBA e taxas de juros mais baixas em toda a curva de rendimento ajudará na recuperação, reduzindo os custos de financiamento; contribuindo para uma taxa de câmbio mais baixa; e apoiando os preços dos ativos e balanços", disse Lowe em comunicado.

A mudança de política do Banco Central australiano segue o anúncio no mês passado de uma grande expansão nos gastos do governo para apoiar a economia nos próximos anos, com o tesoureiro Josh Frydenberg prometendo manter as torneiras fiscais abertas até que o desemprego se aproxime dos níveis pré-pandemia. "O conselho considera que tratar da alta taxa de desemprego é uma prioridade nacional importante. O pacote de políticas de hoje, junto com as medidas anteriores do RBA, ajudará nesse esforço", disse Lowe.

Ele acrescentou que os dados econômicos recentes têm sido melhores do que o esperado e as perspectivas de curto prazo está melhor do que há três meses. "Mesmo assim, a recuperação ainda deve ser acidentada e prolongada e as perspectivas continuam dependentes da contenção bem-sucedida do vírus", apontou. Sobre o PIB do país, o RBA espera crescimento de 6% no atual ano fiscal, que vai até junho de 2021, e de 4% em 2022. O banco central reduziu sua previsão de desemprego do país de 10% para 8%. Também projeta inflação de 1% em 2021 e 1,5% em 2022.