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Eletrobras: custos operacionais sobem 25% em 2020; PMSO cai 7%

Luciana Collet

São Paulo

20/03/2021 12h59

A Eletrobras registrou um aumento de 25% nos custos e despesas operacionais totais em 2020, que somaram R$ 26,37 bilhões no ano, ante R$ 21,113 bilhões no exercício anterior. O aumento foi impulsionado pelo significativo registro de provisões, da ordem de R$ 7,374 bilhões, 268% superiores ao anotado no ano anterior. Por outro lado, a linha de Pessoal, Material, Serviços e Outros (PMSO) recuou 7% no ano, somando R$ 9,17 bilhões.

As provisões operacionais se concentraram no quarto trimestre, quando somaram R$ 4,247 bilhões (sendo R$ 3,975 bilhões não recorrentes), totalizando R$ 7,374 bilhões no ano (R$ 6,2 bilhões não recorrentes).

O principal montante de provisões, de R$ 4,188 bilhões no ano, se refere a contingências. A companhia destacou, em seu relatório de resultados, os R$2,665 bilhões relacionados a processos judiciais de empréstimo compulsório anotados ao longo de 2020.

O tema se arrasta na Justiça há décadas, mas nos últimos meses algumas decisões contrárias à estatal fizeram a estatal reavaliar alguns dos processos e passar a classificá-los como perda "provável". Ao fim de dezembro, a companhia possuía 3.643 processos relativos a este tema provisionados, representando um passivo de R$ 17,453 bilhões.

Além das contingências judiciais, a Eletrobras também anotou, ao longo do ano, perda em investimentos de R$ 680 milhões (R$ 568 milhões no quarto trimestre), com destaque para o lançamento R$ 363 milhões na holding, devido ao efeito negativo das Sociedades de Propósito Específico (SPE) Hermenegildo I, II, III, SVP e Chuí IX, além do lançamento de R$ 324 milhões em Furnas, sendo R$ 126 milhões referente a SPE Mata de Santa Genebra e R$ 105 milhões referente a SPE IE Madeira.

A estatal anotou, ainda, impairment de ativos de longo prazo de R$ 505 milhões, com destaque para a usina Candiota III fase C, no montante de R$ 611 milhões, parcialmente compensado por reversões nas usinas de Camaçari e Santa Cruz. Diferente de períodos anteriores, não foi realizado novo impairment para usina nuclear de Angra 3.

Já na linha de PMSO, a Eletrobras conseguiu reduzir gastos com pessoal (-19%), Serviços (-10%) e Materiais (-2%), o que foi parcialmente compensado pelo aumento de 40% na linha "outros", que foi impulsionada, principalmente, pelo aumento na rubrica indenização, perdas e danos (R$ 496 milhões) devido a acordo judicial, e pelo acréscimo em perdas não operacionais no montante de R$ 134 milhões, referentes à multa contratual da ação ajuizada pela CIEN.

Em nota à imprensa, a Eletrobras destacou que somente itens Pessoal, Material e Serviço (PMS) recuaram, em conjunto, 15,6% em relação ao ano anterior, com redução de R$ 1,3 bilhão. Vale salientar, no entanto, que a redução mais forte da linha pessoal reflete menores custos com Plano de Demissão Consensual, devido ao menor número de desligamentos em 2020 (562) ante 2019 (1.726).

"A companhia, como resultado de sua reorganização administrativa e desligamento de mais de 550 empregados entre 2019 e 2020, apresentou, mais uma vez, redução de custos de pessoal recorrente em R$ 394 milhões, queda de 8% em relação ao custo recorrente do ano anterior", afirmou a empresa na nota.

A Eletrobras explicou que a meta de redução do orçamento base zero (OBZ) para

2020 era de R$ 263 milhões, mas foi atingida a redução de R$ 281 milhões em 2020.

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