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Guedes diz que guerra pode gerar inflação em alimentos e energia: 'Não é bom para o mundo'

"Estamos apenas começando a nos recuperar da pandemia", disse Paulo Guedes, sobre as consequências da guerra para a economia - Antonio Molina/Folhapress
"Estamos apenas começando a nos recuperar da pandemia", disse Paulo Guedes, sobre as consequências da guerra para a economia Imagem: Antonio Molina/Folhapress

Altamiro Silva Junior

São Paulo

28/02/2022 20h07Atualizada em 28/02/2022 20h53

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em Nova York, em entrevista à TV Bloomberg, que uma das consequências imediatas da guerra na Ucrânia pode ser pressões inflacionárias mundiais em alimentos, grãos, fertilizantes e energia.

Perguntado sobre a posição "neutra" de Jair Bolsonaro sobre o conflito militar, Guedes afirmou que o Brasil votou duas vezes no Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a guerra e votará novamente assim. "Queremos que o conflito se resolva de forma pacífica o mais rápido possível."

"Estamos apenas começando a nos recuperar da pandemia. Não é bom para o mundo", disse, ao falar dos impactos inflacionários do conflito para a economia mundial.

Guedes afirmou que a economia mundial passa por um processo sincronizado de desaceleração do crescimento, enquanto a inflação está subindo em vários países. As consequências da guerra só podem agravar esses efeitos.

Já o Brasil está "fora de sintonia" com a economia mundial, pois está crescendo. "O Brasil está na outra direção", afirmou o ministro, para quem o País está em transição de uma economia guiada pelo Estado para uma gerida pelo mercado.

"Até o fim do ano teremos US$ 200 bilhões em compromissos de investimento, em contratos já assinados de investimentos privados."

Guedes citou investimentos em portos, concessões de rodovias e setor elétrico — afirmou ser equivalente a "dois Planos Marshall", que reconstruiu a Europa no pós-Segunda Guerra.

Inflação

"A inflação no Brasil pode ser ainda menor que a dos Estados Unidos este ano", afirmou Guedes. "A inflação pode cair de 10% para a casa dos 5% e o Brasil pode surpreender no crescimento pelo lado positivo", afirmou.

Perguntado sobre a necessidade de um novo programa de crédito este ano, já que a economia está crescendo, Guedes disse que o governo não está imprimindo dinheiro ou expandindo o crédito, mas apenas renovando dinheiro que voltou ao governo. Foi a primeira vez em uma recuperação da economia brasileira que metade dos empréstimos foram para empresas de menor porte e também atingiram os mais vulneráveis, disse o ministro. "A economia voltou de forma forte."

Guedes disse que o Brasil é provavelmente um dos poucos países que está retirando estímulos monetários e fiscais, enquanto outros estão atrasados neste processo. Nesse momento, ele disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) "estão bem atrás da curva", ou seja, ainda vão precisar elevar muito os juros. Por isso, Guedes disse que está bem mais preocupado com a situação nos EUA, onde a inflação está vindo e o Fed "está dormindo no volante".

Sobre as contas públicas, Guedes afirmou que o Brasil reduziu o déficit fiscal de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para zero em um ano. "Nós contraímos a política fiscal durante a recuperação. Não há pressão inflacionária."

Guedes disse ainda que todos os gastos sociais do governo Bolsonaro estão dentro do teto.