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IPC-S do mês deve ser de 0,40%, abaixo da projeção inicial de 0,50%, diz FGV

Na avaliação de Picchetti, a desaceleração acima do esperado do grupo Alimentação (0,21% para 0,03%) foi a principal surpresa do índice. - Getty Images/iStockphoto
Na avaliação de Picchetti, a desaceleração acima do esperado do grupo Alimentação (0,21% para 0,03%) foi a principal surpresa do índice. Imagem: Getty Images/iStockphoto

Daniel Tozzi Mendes

Em São Paulo

23/02/2023 10h20

Para o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, o indicador deve encerrar o mês de fevereiro com avanço próximo a 0,40%, abaixo de sua projeção inicial, que era de 0,50%.

Nesta quinta-feira, 23, a FGV divulgou que entre a segunda e a terceira quadrissemana do mês, o índice arrefeceu de 0,52% para 0,41%.

Na avaliação de Picchetti, a desaceleração acima do esperado do grupo Alimentação (0,21% para 0,03%) foi a principal surpresa do índice nesta quadrissemana, e explica o porquê da revisão para baixo na projeção consolidada do mês.

"Nossa projeção ficou superestimada, e por isso o IPC-S deve encerrar o mês muito mais próximo de 0,40% do que o 0,50% inicialmente projetado", afirma Picchetti, que destaca o comportamento dos alimentos in natura, como tomate (-2,85% para -6,87%) e batata-inglesa (-5,76% para -12,37%) , como os principais responsáveis pela desaceleração do grupo.

"Após meses seguidos de pressão sobre o preço desses itens no segundo semestre de 2022 e um período ruim para as colheitas na virada do ano, vemos agora esse arrefecimento, que é uma normalização dos preços", avalia Picchetti.

Assim, para coordenador do IPC-S, há possibilidade do grupo Alimentação registrar deflação no encerramento do mês. "Não vemos outros alimentos puxando a variação para cima, então isso não é improvável", diz.

Além de Alimentação, os grupos que puxaram o arrefecimento do índice nesta leitura foram Educação (0,94% para 0,29% ) e Transportes (0,45% para 0,25%), segundo Picchetti.

"Nos Transportes, ainda vemos deflação nos combustíveis, como a gasolina (-0,34% para -0,81%), que contribuiu bastante para a moderação da inflação no mês", afirma. "Mas na ponta, a gasolina está com queda de 0,12%, o que indica a possibilidade de novas quedas, mas em ritmo menor em março", acrescenta.

De acordo com Picchetti, a difusão do IPC-S, que mede o porcentual de itens que apresentaram aumento de preços no período, caiu de 61,961% para 59,03% nesta leitura.

O patamar é o mais baixo desde setembro de 2022, quando a difusão registrada foi de 58,39%.