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Campos Neto reforça ocorrência de inflação de demanda justificando atual patamar da Selic

São Paulo

21/04/2023 09h32

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, reforçou nesta sexta-feira, 21, que há inflação de demanda no Brasil justificando o atual patamar da Selic. A situação fiscal do Pais é outro elemento entre as justificativas dos juros a 13,75% ao ano, segundo Campos Neto.

O banqueiro central participou nesta sexta da Lide Brazil Conference London, evento que o Grupo de Líderes Empresariais (Lide) organiza na capital britânica. No evento, fez um balanço das medidas adotadas pela autoridade monetária durante a pandemia para conferir liquidez à economia. Ele disse que estas medidas foram adotadas no contexto de que a autarquia enxergou muito cedo os efeitos da chegada da pandemia.

O banqueiro central, que falou sobre os "Os Novos Instrumentos Como Fatores de Desenvolvimento das Nações: o papel das moedas digitais do Open Finance e as Perspectivas de Inflação, Juros e Câmbio", voltou a defender o sistema de metas inflacionárias e a reforçar para aqueles que acusam o BC de não cumprir a meta por alguns anos que o não cumprimento está em linha com as vezes que bancos centrais de economias similares deixaram de cumprir seus respectivos objetivos.

Inflação de demanda

Campos Neto relatou que escuta com certa recorrência de que a inflação no Brasil é decorrente apenas de choque de oferta. Na avaliação dele, isso não é verdade porque hoje há mais componentes de demanda na inflação do que de oferta.

"E mesmo que a inflação fosse de oferta, os BCs têm por obrigação combater os efeitos secundários, que é quando os efeitos de uma inflação de oferta se propagam na cadeia", disse. Ele argumentou que há vários estudos mostrando que, quando a inflação sai do controle, as empresas brasileiras se adaptam rapidamente, os ricos se adaptam rapidamente, mas o pobres não. Ele destacou que a inflação é um grande instrumento promotor de desigualdade e pobreza no Brasil.

Campos Neto se referiu à situação fiscal do Brasil para justificar a necessidade de a taxa de juros permanecer mais alta que em outros países. Para ele, o orçamento rígido brasileiro tira potência da política monetária e isso também justifica a taxa básica de juro mais alta no Brasil.