Presidente do BID vê juros no mundo menores à frente, mas não tão mais baixos como no passado

Para o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, as taxas de juros no mundo devem cair à frente, mas não para um nível tão baixo como no passado. "O período das últimas três décadas de juro zero, ou negativo, com inflação controlada, foi excepcional; não é para sempre", avaliou o ex-presidente do Banco Central, durante participação em evento da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

O presidente do BID, ressaltou, porém, que parte do atual ciclo de juro alto é resultado de uma questão bastante temporária, com uma inflação que tem demorado a cair, após alguns choques, como a pandemia de covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia.

"Aprendemos que demora a cair a inflação. Isso ensina que é preciso ter paciência e persistência", afirmou Goldfajn.

Desafios da América Latina e efeitos do clima

Para o presidente do BID, a América Latina convive hoje com um "desafio triplo", que é a crescente demanda por serviços públicos em meio a um cenário de restrição fiscal e crescimento econômico lento.

"Os governantes entram no poder e tem restrições fiscais, alguns com dívidas altas, outros precisando de estabilização e nem todos tem os recursos necessários para atender essa demanda por serviços públicos", avaliou Goldfajn.

Somado a esse cenário, o presidente do BID destaca que existem efeitos cada vez mais evidentes das mudanças climáticas e seus respectivos impactos socioeconômicos. "Está claro que as mudanças climáticas já chegaram em todos os países da América Latina", salientou.

Para Goldfajn, a necessidade de avaliar soluções para conter a emergência climática indica um cenário em que questões globais podem ser resolvidas a partir da América Latina. "É questão de perceber que o mundo precisa da América Latina e do Brasil para resolver problemas globais", pontuou o presidente do BID, citando a necessidade de iniciativas de controle do desmatamento na Amazônia para controle do aquecimento global. "Você tem uma oportunidade de consolidar a Amazônia Legal, uma grande catalisadora dessa economia de baixo carbono", destacou.

Insegurança alimentar

Para o presidente do BID, além das questões climáticas, o combate à insegurança alimentar é um outro ponto de atenção e no qual a instituição financeira tem buscado atuar.

"Falta melhor distribuição de alimentos e isso ficou evidente nos últimos anos", avaliou Goldfajn, citando que houve um aumento de mais de 500% na produção de grãos entre 1977 e 2017. "E o Brasil tem oportunidade para ser o grande exportador de alimentos do mundo."

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