Com foco nos juros dos EUA, Ibovespa cai 1,21%, a 131,2 mil pontos

Após o leve ganho de 0,10% proporcionado pela alta acima de 3% vista nas ações da Petrobras ontem, o Ibovespa voltou a registrar perda na casa de 1% nesta terceira sessão do ano, tendo iniciado 2024 em baixa de 1,11%, anteontem. Hoje, cedeu 1,21%, aos 131.225,91 pontos, bem mais próximo à mínima (131.023,71) do que à máxima (132.885,11) da sessão, em que saiu de abertura aos 132.830,97 pontos. A pausa é natural neste começo de ano, considerando a forte progressão do Ibovespa em novembro e dezembro, que o colocou em níveis recordes no fim de 2023.

Amanhã, sexta-feira, vem o dado mais aguardado da semana, o relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos em dezembro, que ganha peso especial após a cautelosa ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada ontem. Mesmo antes do documento, o mercado já devolvia parte do entusiasmo que se viu no mês passado, com a expectativa de que o BC americano poderia iniciar já em março o ciclo de corte da taxa de juros nos Estados Unidos.

Nesta véspera de payroll, sem sinal único no fechamento dos principais índices em Nova York (Dow Jones +0,03%, S&P 500 -0,34%, Nasdaq -0,56%), as ações de maior liquidez na B3 mostraram uniformidade, em baixa. Vale ON, papel de maior peso individual no Ibovespa, caiu hoje 1,34%, enquanto Petrobras ON e PN mostraram perdas, respectivamente, de 1,62% (na mínima do dia no fechamento) e 0,85%. Entre os grandes bancos, o ajuste variou entre -0,66% (Itaú PN) e -1,37% (Bradesco PN, no piso da sessão no encerramento).

Apenas sete das 87 ações da carteira teórica do Ibovespa conseguiram fechar o dia em alta: Assaí (+2,09%), Braskem (+0,83%), BB Seguridade (+0,71%), Ambev (+0,37%), ISA CTEEP (+0,31%), RaiaDrogasil (+0,24%) e Rumo (+0,09%). No lado oposto, Alpargatas (-6,47%), MRV (-6,12%), Casas Bahia (-5,57%) e Eztec (-4,62%). O giro financeiro desta quinta-feira na B3 foi a R$ 21,9 bilhões, semelhante ao do dia anterior. Nas três primeiras sessões do ano, o Ibovespa acumula perda de 2,21%.

"O Fed reconheceu melhora na inflação, mas reforçou também a dependência dos próximos dados, até porque, embora a inflação esteja convergindo, continua a rodar acima da meta", diz Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos, em referência à postura cautelosa emitida ontem na ata do comitê de política monetária, o Fomc, que resultou em realinhamento parcial das expectativas de mercado quanto ao momento em que os juros americanos começarão a cair.

"Tivemos hoje um dia de queda mais forte na Bolsa, especialmente para as small caps as ações de menor capitalização de mercado. A ata do Fed continuou a fazer preço, e os juros dos Treasuries já vêm em alta desde a última semana. A ata foi um novo propulsor para essa alta de juros, o que não é bom para os ativos de risco", diz Rafael Schmidt, sócio da One Investimentos. Assim, o rendimento da T-note de 10 anos, que estava em 3,84% no último dia 28, foi hoje a 4%.

"O relatório de empregos da ADP, divulgado pela manhã, veio bem acima do esperado, o que reforça a expectativa para o relatório oficial, o payroll de amanhã", acrescenta Schmidt, destacando a possibilidade de correção adicional na curva de juros futuros.

Nesta quinta-feira, além dos números da ADP, leitura um pouco acima do esperado para o índice de atividade (PMI) de serviços dos Estados Unidos contribuiu para reforçar a narrativa de que o corte de juros do Fed não deve vir tão cedo quanto se antecipava recentemente. Assim, os rendimentos dos Treasuries se fortaleceram ao longo da tarde, fazendo com que a alta dos índices de ações em Nova York murchasse, gradativamente.

Em outro desdobramento do dia, a leitura semanal dos estoques de petróleo dos Estados Unidos tirou fôlego dos preços da commodity, que ontem haviam saltado em meio ao aprofundamento da tensão geopolítica no Oriente Médio - retirando, nesta quinta-feira, o suporte que as ações da Petrobras tinham proporcionado, ontem, ao Ibovespa. Se, por um lado, houve queda acima do esperado para os estoques de petróleo nos EUA, por outro o mercado tomou nota do aumento das reservas de gasolina, em 10,9 milhões de barris.

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