Dólar sobe antes de Powell e dados fiscais, mas alivia com queda de juro de Treasuries

O dólar opera em alta na manhã desta sexta-feira, 22, em meio à espera global por novos sinais de política monetária nos EUA vindos do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell e, do lado interno, pelo relatório de avaliação de receitas e despesas primárias do primeiro bimestre de 2024 do governo Lula, ambos às 10h. Mas a queda dos juros dos Treasuries e um viés positivo do petróleo nesta sexta-feira, ajudam a aliviar a alta do dólar ante o real.

O minério de ferro opera sem direção definida: fechou em alta de 1,50% em Dalian, na China, mas recua 1,58% em Cingapura. Investidores também aguardam com certa cautela a divulgação de indicadores chineses sobre lucro industrial e atividade econômica (PMIs) na próxima semana.

No primeiro relatório bimestral de receitas e despesas do ano, o governo terá de apontar, formalmente, se o alvo fiscal de déficit primário zero em 2024 caminha para ser cumprido ou não, e se, diante do atual cenário, há necessidade de bloqueio de despesas e de quanto. De acordo com fontes da equipe econômica, a tendência é de um bloqueio no orçamento de até R$ 3 bilhões, por boa performance das receitas e revisão de gastos do INSS, apurou o Estadão/Broadcast.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, uma arrecadação mais forte em janeiro e fevereiro, acima do esperado pelo mercado, e indefinições dentro do Congresso e na negociação com empresas podem empurrar esse teste para frente, afastando a necessidade de um bloqueio mais expressivo neste primeiro momento.

Apesar da avaliação do mercado de que a meta de déficit zero em 2024 já tem um encontro marcado com uma revisão - ainda que no segundo semestre -, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, reafirma o compromisso da equipe econômica com o objetivo fiscal e diz que, hoje, o governo não trabalha com outro cenário. "Nós queremos cumprir a meta sem mudá-la e estamos trabalhando para criar condições para isso", diz ele. "Hoje, não há uma discussão sobre isso."

Já a decisão do STF de anular o julgamento da "revisão da vida toda" no INSS, que livra a União de impacto de R$ 480 bilhões nas contas públicas, pode ser um alento do lado fiscal.

Às 9h34 desta sexta, o dólar à vista subia 0,36%, a R$ 4,9971, após registrar máxima a R$ 5,0091 (+0,60%) e mínima a R$ 4,9961 (+0,34%). No mercado futuro, o dólar para abril ganhava 0,42%, a R$ 4,9970.