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Em 2015, projeções pioraram ao longo do ano; como será em 2016?

SÃO PAULO - O ano de 2015 acabou, mas deixou algumas lições sobre economia. Uma delas é que ela é sempre surpreendente, até mesmo para os mais renomados especialistas. 

E em um ano marcado por tantas turbulências, com Operação Lava Jato e instabilidade política no Brasil, além de desaceleração da economia da China e elevação de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pela primeira vez em nove anos, as surpresas foram ainda maiores. 

Um dos bons "termômetros" para isso foi o relatório Focus, divulgado toda semana pelo Banco Central, às segundas-feiras. O relatório tem o objetivo de monitorar a evolução das expectativas de mercado para as principais variáveis macroeconômicas, de forma a gerar subsídios para o processo decisório da política monetária e traz as apostas de economistas para os principais indicadores econômicos do País.

Ao longo do ano de 2015, as estimativas para diversos indicadores da economia foram revisados. Em janeiro, por exemplo, as estimativas que poderiam até ser vistas como conservadoras acabaram se revelando, no final do ano, otimistas demais. Um caso emblemático é sobre o PIB (Produto Interno Bruto) de 2015. O número ainda não foi fechado e será divulgado em 2016 pelo IBGE, mas a estimativa atual é de uma contração de 3,71% da economia no ano passado. Porém, o primeiro Focus, de 2 de janeiro, mostrava uma leve alta do PIB de 2015. 

As estimativas para o câmbio abriram o ano passado projetando um dólar a R$ 2,80 no final de 2015. No final do ano, o dólar fechou na casa dos R$ 3,94, com ganhos de 48,5% em 2015 e a maior alta anual desde 2002. 

Outro dado que ainda será divulgado pelo IBGE é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que será revelado na próxima sexta-feira. Contudo, a evolução nos números (e os dados constantemente acima do esperado divulgados mensalmente pelo Instituto) mostraram como as expectativas se deterioraram. Se em janeiro, o mercado espera uma inflação levemente acima do teto da meta de 6,5% ao ano, agora as expectativas são de que a inflação supere os dois dígitos. 

As expectativas sobre a Selic - taxa básica de juros - também reagiram a esse cenário. Se, no começo do ano, o mercado espera uma taxa anual de 12,5% (uma alta de 1,25 ponto percentual em relação à última reunião de 2014), as estimativas foram sendo elevadas entre a atuação do Copom (Comitê de Política Monetária) em elevar os juros durante o ano e a persistência da inflação. No ano, a Selic subiu três pontos, passando de 11,25% para 14,25%, bem acima do projetado inicialmente. 

Erros nas previsões

Mas por que houve tantos erros nas previsões econômicas? Em relatório do início de dezembro, o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octávio de Barros, trouxe à tona algumas questões. De acordo com ele, o forte ajuste da economia explica grande parte do erro das previsões dos economistas em 2015. 

"As projeções econômicas sempre envolvem um grau de incerteza, principalmente aquelas realizadas para o médio prazo. As dúvidas, principalmente no campo político e fiscal, foram bastante numerosas e as frustrações com as previsões dos economistas coletadas pelo relatório Focus também foram significativas", ressaltou.

Barros lembra ainda que, para 2016, o cenário ainda apresenta elevado grau de incerteza fiscal e política, o que tende a dificultar as previsões econômicas. Vale ressaltar que as estimativas para este ano não começaram nada positivas: os economistas esperam, de acordo com o último relatório, que o PIB contraia 2,95% este ano, a inflação vá para 6,87%, a Selic suba a 15,25% e o câmbio encerre este ano em R$ 4,21. 

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