Após dia ruim no trabalho, casal faz plano para se aposentar em 1.500 dias

SÃO PAULO – Carl, programador do Colorado, EUA, pai de dois filhos, está em busca da realização de um grande sonho junto com sua mulher: tornar-se financeiramente independente aos 43 anos de idade (hoje ele tem 42).

Após um "péssimo dia no trabalho", como ele mesmo diz, Carl decidiu que era hora de mudar o rumo de sua vida e criou o blog "1.500 days" (1.500 dias), onde ele compartilha sua trajetória e seu objetivo de poupar US$ 1 milhão (US$ 1.000.000) até fevereiro de 2017, além de quitar o financiamento da casa (US$ 120.000) --um total de US$ 1,12 milhão (US$ 1.120.000).

O objetivo está perto de ser alcançado. O casal já conseguiu poupar US$ 1,1 milhão (US$ 1.100.000) em ações fundos. Portanto, Carl só precisa de mais US$ 20 mil.

No início, eles aplicavam somente em ações, mas, com o tempo, passaram a diversificar e investiram também em ETFs (fundos de índices). 

Ao contrário do que muitos imaginam, eles não pretendem abandonar o trabalho fixo para sempre, mas se sustentar sem depender de salários mensais.

Eles querem continuar na ativa, mesmo que com uma renda inferior, porém trabalhando com algo que lhes dê prazer. "As coisas são bem mais simples quando o objetivo não é dinheiro", escreve Carl.

IM: Qual é a história por trás do blog e do novo estilo de vida que vocês dois estão buscando?

Carl: Eu comecei o blog para documentar a minha jornada à independência financeira. Quando eu tinha 38 anos, tive um péssimo dia no trabalho e decidi que não queria continuar com aquela rotina por mais 25 anos. Eu pesquisei um pouco a respeito e fiz uma análise de minhas despesas. Descobri a possibilidade de me aposentar em aproximadamente 1.500 dias. Eu sempre gostei de escrever, então, o blog nasceu nesse momento.

Quando eu sair do meu trabalho, não vou ficar jogando golfe ou sentado no sofá assistindo TV; eu vou ficar escrevendo, lendo, explorando e aproveitando mais tempo com a minha família. Algo que eu costumo escutar com frequência de amigos que deixaram o trabalho cedo é que agora eles estão mais ocupados do que antes. A diferença é que eles estão sobrecarregados com coisas que amam, não dando satisfação a ninguém mais do que eles mesmos.

IM: Você chamaria o seu objetivo de aposentadoria adiantada ou de independência financeira? Por quê?

Carl: Eu não gosto muito do termo "aposentadoria adiantada". Quando as pessoas escutam a palavra "aposentadoria" eles imaginam senhores de 80 anos jogando golfe ou sentados na praia. A minha vida pós-trabalho, porém, será muito diferente. Já que dinheiro não será mais problema, continuarei trabalhando, mas em atividades de que realmente gosto. Novamente, independência financeira é, mais do que qualquer coisa, questão de escolhas.

IM: Você sempre gostou de finanças? Como o mundo dos investimentos chegou até você?

Carl: Até os 20 anos eu não gostava de ler sobre negócios nem sobre dinheiro. Tudo mudou, porém, quando assisti a um seminário fantástico sobre investimentos na faculdade. Não era algo do tipo "fique rico", apenas alguns caras oferecendo, de graça, noções básicas de investimentos.

Foi nessa palestra que descobri o poder da minha juventude: eu não precisava investir muito, já que os juros compostos iriam cuidar disso por mim.

IM: Qual você acha que será a pior parte de deixar o seu trabalho fixo?

Carl: Alguma hora eu teria que me aposentar, mas eu não posso me demitir e esperar que o mundo venha até mim. Eu preciso ter certeza absoluta de que terei atividades significantivas para ocupar meus dias. Por mais que meu trabalho seja estressante, ele me fornece um sentimento de missão cumprida e uma sensação de gratificação que me permite dormir melhor de noite. Meus pais se aposentaram sem nada para fazer e isso foi horrível para eles.

IM: Vi no seu blog que você quer poupar US$ 1 milhão até fevereiro de 2017. O que vocês estão fazendo para alcançar esse objetivo? Qual é o saldo até o momento?

Carl: Eu chequei minhas reservas ontem e estavam em US$ 1,1 milhão. Eu ainda tenho US$ 120 mil em dívidas de hipoteca (...). Desse modo, preciso de US$ 20 mil para alcançar meu objetivo. A minha família consegue poupar muito mais do que gastar, o que é bom. Apesar de controlarmos gastos, vivemos muito bem.

IM: Como vocês lidam com o dinheiro? Que dicas podem nos dar?

Carl: Dinheiro é uma ferramenta que pode ser organizada de diferentes maneiras. Alguns optam por comprar coisas como grandes casas e carros chiques. Eu, por outro lado, estou comprando tempo. Há muitas coisas nesse mundo que não conseguirei fazer caso eu continue trabalhando até os 65 anos de idade. Aquele carro moderno, por exemplo, custará zero em uma década, enquanto minha independência financeira será para o resto da vida.

A melhor dica que posso dar é: analise o que realmente importa para você. Minhas lembranças favoritas são as de quando me reúno com a família nos dias festivos. Eu não me recordo da maioria dos presentes que ganho, mas me lembro de cada segundo em que estávamos juntos.

As relações que temos durante a vida são muito importantes. Novos carros, aparatos eletrônicos e passeios no shopping são coisas que apenas completam vidas vazias. Em vez disso, preencha esses espaços com pessoas que valham a pena.

IM: O que você sugere àqueles que buscam alcançar a independência financeira?

Carl: Tudo o que você precisa saber sobre independência financeira está a apenas um Google de distância. Há várias pessoas na internet que estarão dispostas a lhe mostrar como investir seu dinheiro e aproveitar a sua vida. Estude e se espelhe nisso. Você alcançará seus objetivos quando menos esperar.

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