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Observatório do Clima alerta que plano de negócios da Petrobras é suicídio

Observatório do Clima

Os dados abaixo são de responsabilidade das empresas envolvidas e não são produto jornalístico do UOL

SÃO PAULO, 27 de abril de 2016 /PRNewswire/ -- A Petrobras está criando problemas para o próprio futuro ao focar seu plano de negócios na exploração do petróleo do pré-sal e se desfazer de ativos em energias renováveis e biocombustíveis. O risco foi apontado pelo Observatório do Clima , rede de 41 organizações da sociedade civil formada para discutir as mudanças climáticas no contexto brasileiro, em carta enviada nesta quarta-feira ao presidente e ao Conselho Diretor da estatal, que se reúne amanhã (28) para reformular o estatuto da empresa.

As empresas de petróleo enfrentam queda no preço da commodity e uma gradual desaceleração da demanda. O preço mais baixo, que não deve se alterar em muito tempo, tende a tornar economicamente inviáveis os chamados projetos "não-convencionais", como as areias betuminosas do Canadá, o Ártico e o pré-sal, regiões cujo custo de extração varia entre US$ 40 e US$ 50 o barril. Embora a Petrobras diga que tem campos cujos investimentos já foram amortizados, esse "colchão" deve durar cerca de três anos apenas – tempo insuficiente para acelerar a produção até os níveis de produção esperados pelo governo na década passada, quando o pré-sal foi descoberto.

Em cima disso há as restrições climáticas. Para evitar que o planeta sofra mudanças climáticas perigosas, o Acordo de Paris estabeleceu a meta de limitar o aquecimento global a "bem menos de 2oC". E o único jeito de fazer isso é descarbonizar a economia global, em especial o setor de energia, antes do meio do século – deixando a maior parte dos combustíveis fósseis no subsolo. Esta não é uma recomendação de ambientalistas, e sim uma constatação da Agência Internacional de Energia .  O risco de que as reservas de combustíveis fósseis se tornem "ativos encalhados" tem feito fundos soberanos, de pensão e outros desinvestirem de empresas de carvão, óleo e gás.

"O crescimento vertiginoso das renováveis, as restrições impostas pela necessidade de descarbonização e os preços em queda criam uma tempestade perfeita para o setor de óleo e gás", alerta Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima. "Empresas responsáveis precisam diversificar seu portfólio para reduzir a dependência de um ativo cada vez mais problemático e evitar prejuízos. A Petrobras tem de fazer o mesmo com urgência, já que sua saúde financeira não interessa apenas a seus acionistas, mas a todo o povo brasileiro."

Tel.: (11) 4625.0605

http://www.observatoriodoclima.eco.br  

FONTE Observatório do Clima

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