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Pastelaria começou em Kombi e agora lucra vendendo massa e garapa para franqueados

Reinaldo Canato/UOL
Donizete Aparecido da Silva fez do Pastel do Trevo de Bertioga (SP) uma rede lucrativa Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Afonso Ferreira

Do UOL, em Bertioga (SP)

27/02/2012 10h00

Calça jeans, camisa polo e botas de cowboy sujas de terra. Donizete Aparecido da Silva, 55 anos, pode parecer um homem do campo, mas foi vendendo pastéis que ele se tornou um empresário de sucesso. O ingrediente que fez o antigo trailer – que começou a funcionar em uma Kombi adaptada – tornar-se uma rede de lojas com duas filiais no litoral, oito franqueadas no Estado de São Paulo e um quiosque em Porto Seguro (BA) foi a escolha do ponto.
 

Conselho de Donizete

O mundo é grande, não há necessidade de começar uma empresa ao lado do concorrente. É melhor procurar a sua clientela sem atrapalhar ninguém

A grande sacada de Donizete foi explorar uma área com movimento crescente, no caminho da praia, mas sem concorrentes. Foi no trevo de entrada para Bertioga, a 103 km de São Paulo, às margens da Rodovia Rio-Santos, que ele montou o primeiro Pastel do Trevo, em 1988. Na época, não havia nada em volta e a pista nem sequer tinha asfalto, mas Donizete sentia que o local tinha futuro. “Na época, poucos motoristas conheciam a rodovia. Eu sabia que, conforme eles a conhecessem, o movimento iria aumentar.”

A escolha, no entanto, foi empurrada pela concorrência. Isso porque as primeiras tentativas de Donizete de montar sua pastelaria ambulante em áreas mais centrais incomodaram os demais vendedores já estabelecidos que o expulsaram dos lugares onde tentou trabalhar: primeiro, no Terminal Turístico da cidade, depois, no acesso a uma balsa. A ida para o Trevo era um risco, mas também uma alternativa ao conflito.

“Na época, até meu cunhado achou que era loucura vir para cá. Mas eu queria um lugar onde não atrapalharia ninguém.” Por seis meses, Donizete passava as noites na Kombi, enquanto a família ficava em São Paulo. “Foi um período muito difícil. O bicho era feio, mas encarei e ele correu”, brinca o empresário.
 


Tamanho do pastel foi adaptado para chamar a atenção do público elitizado

A aposta e a persistência deram certo. Em dois anos, a Kombi foi trocada por um trailer, os primeiros bancos para os clientes foram instalados e o local começou a atrair os carros luxuosos que seguiam a caminho do litoral. “Percebi que muita gente da elite paulistana vinha a Bertioga para passar os finais de semana, os feriados e as férias. Por isso vim para cá.”

Foi aí que Donizete começou a criar diferenciais para o produto. Para atender esse público, o pastel tinha de ser diferente no sabor e no preço. Foram criadas unidades de quase 30 cm, com muito recheio e ingredientes da melhor qualidade. Os de carne e os de queijo, por exemplo, custam R$ 9. “O preço pode parecer alto, mas o recheio equivale ao de quatro pastéis comuns. Analisando melhor, você percebe que não é caro”, diz.

Daí, para fidelizar a clientela, o jeito do mineiro de fala mansa ajudou. O pastel foi ficando conhecido na base do boca-a-boca. “Faço o meu produto com amor e carinho e deixo isso claro para meus clientes. Essa é uma forma de marcá-los e fazê-los voltar.”

A fama dos pastéis “gigantes”, conhecidos como “pastéis de Bertioga” foi tanta que os clientes formavam filas enormes em frente ao trailer. E o sucesso chegou à televisão. Donizete foi convidado para ensinar sua receita em vários programas de culinária. “Não me preocupo em ser copiado. Fazer pastéis iguais aos meus é difícil e trabalhoso. Precisa ter qualidade do começo ao fim”, comenta.  Tanto não se importa, que resolveu reproduzir o modelo em filiais e, depois, transformou o negócio em franquia.

  • Arquivo/Divulgação

    Na década de 90, quando foi inaugurado o Pastel do Trevo, clientes faziam filas à beira da rodovia

Mas, de todos, o trailer no trevo de Bertioga é o local mais movimentado da rede. No período de férias ou em feriados prolongados são vendidos 1.500 pastéis em um dia. E hoje é a concorrência quem vem para perto do trailer para aproveitar a movimentação de clientes. Pelo menos duas pastelarias foram abertas próximas ao local.

Pastel e caldo de cana padronizados
Outro passo que determinou o crescimento da empresa foi o investimento na produção de insumos para toda a rede. A massa – um dos segredos do sabor do pastel -, ele mesmo produz e revende para os franqueados. A fabricação ocorre em uma das filiais onde é possível comer o pastel e ver a produção. Em média, são 345 kg de massa por dia. Na alta temporada, este número chega a subir para 510 kg, que abastecem todas as filiais e franqueados da rede. Somando todas as lojas, são vendidos cerca de 2.400 pastéis diariamente.

A cana usada para tirar a garapa também é Donizete que vende a todas as unidades. O cultivo é feito em uma fazenda que comprou em Minas Gerais, a mesma onde nasceu. Lá, também são produzidos o cheiro-verde, o limão totalmente livres de agrotóxicos ou adubos químicos. “São produtos difíceis de ser achados no mercado. Eu preciso plantá-los para tê-los”.

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