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Guia de Economia


Empreendedorismo: Acerte no cálculo da formação de preços

Izabela Ferreira Alves

Do UOL, em São Paulo

27/02/2012 10h00Atualizada em 07/09/2018 17h26

Para acertar na estratégia de formação do preço, é importante medir e registrar os custos, mensalmente, de forma rigorosa. "Sobre esse custo, o empresário vai lançar a margem de lucro, fixando o preço. Como há muitos fatores que fogem ao seu domínio, como conjuntura econômica e a concorrência, ele tem de ter, na palma da mão, o acompanhamento criterioso do que pode controlar", diz o consultor do Sebrae Luis Lobrigatti.

Uma tabela permite ao empreendedor visualizar, de forma abrangente, quais itens concentram fatia maior de seus gastos e como estes se comportam.

Apesar de cada setor ter uma composição própria de custos, é possível separá-los em duas grandes categorias: variáveis e fixos. Na primeira, agrupam-se os gastos que mudam conforme o volume produzido, como a matéria-prima e impostos sobre as vendas. No segundo grupo, são reunidas as contas que se mantêm constantes, independentemente da quantidade fabricada ou comercializada.

Indústria

Dentro dos custos variáveis, o pequeno industrial deve lançar os de produção, como matérias-primas, embalagens e etiquetas --tudo aquilo que chega ao cliente.

Nesse mesmo conjunto, deve discriminar quanto gasta com os insumos --materiais consumidos na fabricação e que não acompanham o produto, como moldes e lixas.

"No setor industrial, não podemos esquecer os fretes e impostos relativos à compra de matérias-primas e materiais. É importante também lançar, se houver, o ICMS (Imposto Sobre Circulação e Mercadorias e Serviços), que varia de um estado para o outro", alerta Lobrigatti.

Custo total da produção (indústria)

  • Variável: Matérias-primas, etiquetas, embalagens, insumos;
  • Fixo: Salários, pró-labore, encargos, água, luz, telefone, internet.

Comércio

O comerciante, para compor seu custo variável, precisa listar todos os gastos com a compra de mercadorias, que serão revendidas.

Custo total da mercadoria (comércio)

  • Variável: Valor gasto com a compra dos itens a serem revendidos
  • Fixo: Salários, pró-labore, encargos, água, luz, telefone, internet

Serviços

Já o prestador de serviços vai computar o custo das matérias-primas e insumos empregados na realização do mesmo.

"Uma massagista vai contabilizar os cremes como matéria-prima, pois eles seguem com o cliente e as luvas e o papel que coloca sobre a mesa de massagem, como insumos ou materiais", exemplifica.

Custo total de execução (serviço)

  • Variável: Matérias-primas e insumos ou materiais
  • Fixo: Salários, pró-labore, encargos, água, luz, telefone, internet

"No setor terciário, o custo com mão de obra é variável se ela for terceirizada e é fixo se o serviço for executado por funcionários. Já quando é o próprio dono quem executa o serviço, o pró-labore --salário que o proprietário estipula para si próprio, por gerir a empresa-- vai englobar tanto a remuneração por ele estar executando serviço, quanto a gestão do negócio", diferencia o consultor do Sebrae.

Custos fixos para todos

Além do pró-labore, ainda nos custos fixos, inclui-se, para os três setores, os gastos com aluguel, encargos, água, luz e telefone.

Na indústria, a soma dos custos variáveis e fixos é igual ao gasto total de produção. No comércio, a soma das despesas fixas mais o valor gasto com as compras dos produtos forma o custo total da mercadoria. Já na prestação de serviços, o valor total de execução é equivalente aos custos fixos somadas ao de realização.

Ainda segundo Lobrighatti, o empreendedor deve lançar, todos os meses, nos gastos fixos, uma provisão para despesas esporádicas. Assim ele provisiona uma reserva para manutenção e reparos, publicidade, 13º salário, seguros. Quando o empresário precisar dispor daquele recurso, não irá desequilibrar suas contas, pois estava capitalizado.

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