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Empresária abre negócio com R$ 17 mil e hoje fatura R$ 3,5 milhões no ramo de petróleo

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

01/10/2012 06h00

Com R$ 17,5 mil e sem conhecimento específico na área de petróleo e gás, a empreendedora Wilsa Atella fundou, em 2006, a Ambidados, empresa de serviços de monitoramento oceanográfico, que mede movimentos das ondas, correntes e marés, no Rio. Seis anos depois, o negócio fatura R$ 3,5 milhões por ano, duzentas vezes mais que o investimento inicial.

O salto foi possível graças à entrada da empresa para a incubadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e à participação no Programa de Petróleo e Gás, do Sebrae, que capacita micro e pequenas empresas para atuarem na cadeia como fornecedoras de grandes empresas.

“A cadeia do petróleo é um pouco elitista, segrega as empresas pequenas e desconhecidas. À medida que fomos conquistando espaço, passamos a ser reconhecidos, principalmente depois da chancela da incubadora”, diz Atella.

De prestadora de serviços, a Ambidados passou a desenvolvedora de tecnologias, oferecendo produtos próprios, serviços e representando empresas internacionais. Seu primeiro produto foi a ondaleta, um aparelho que mede altura e direção das ondas e marés. O produto custa R$ 75 mil, um terço do similar importado.

As novidades garantiram à empresa o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador 2012, na categoria Melhor Empresa Graduada. A premiação é realizada pela Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores) e pelo Sebrae.

O principal cliente da Ambidados é a Petrobras. “Já no primeiro contrato, contratamos 12 funcionários de uma vez. Atualmente, a empresa possui 36 funcionários”, diz a empreendedora.

Oportunidades existem para quem se capacita

Eliane Borges, coordenadora do Programa de Petróleo e Gás do Sebrae, afirma que saltos desse tipo são comuns nas pequenas empresas que passam a integrar a cadeia das grandes companhias. “Os contratos são de valores maiores. Há casos em que a empresa muda de patamar, ou seja, passa de micro para pequena ou de pequena para média”, declara.

Ela diz que existem muitas oportunidades para micro e pequenas empresas no segmento de petróleo e que o principal obstáculo é a falta de informação.

“É uma cadeia exigente. Os fornecedores precisam ter sistemas de gestão da qualidade, ambiental, de segurança e saúde no trabalho e outros que variam de acordo com o produto ou serviço fornecido. Mas, quem investe em seu desenvolvimento, colhe os frutos. Uma empresa preparada para fornecer a essa cadeia pode fornecer para qualquer outra cadeia produtiva.”

Perspectivas de negócio são de longo prazo

Durante a Rio Oil & Gas – evento do setor que aconteceu no Rio de Janeiro entre 17 e 20 de setembro –, 32 empresas âncoras se reuniram com 238 micro e pequenas empresas que ofereceram seus serviços durante uma rodada de negócios. A expectativa de valores de contratos com as empresas âncoras nos próximos meses é de quase R$ 153 milhões.

As oportunidades são para indústria, comércio, automação, tecnologia da informação, metal-mecânica, eletroeletrônico, construção civil, confecção de uniformes, pintura industrial, calçados de segurança, alimentação, papelaria, entre outros.

Não é obrigatório que a empresa esteja em uma cidade litorânea para integrar a cadeia. A Petrobras, por exemplo, tem unidades em Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul. E a gigante brasileira não é a única atuante. Há mais de 40 empresas explorando petróleo no Brasil.

“O setor está aquecido no mundo inteiro, ainda mais no Brasil por causa do pré-sal. As oportunidades são de longo prazo. Nos próximos anos, esperamos ter mais empresas atuando, o que vai ampliar o mercado para as MPEs”, diz Borges.

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