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Pressionados, bancos reduzem ganhos com juros em 20% em um ano

Matheus Lombardi

Do UOL, em São Paulo

15/05/2013 11h34

Os bancos brasileiros lucraram como nunca nos últimos anos, quebrando diversos recordes consecutivos. Porém, em 2013, o cenário tem sido um pouco diferente: mesmo com lucros girando na casa dos bilhões, os maiores bancos do país precisaram diminuir a taxa de ganhos com os juros por pressão do governo e dos consumidores. Para eles, agora têm sido cada vez mais difícil quebrar recordes.

O spread bancário, que é a diferença entre os juros pagos pelos bancos e o que eles cobram dos clientes, teve uma redução média de 19,9% em um ano, segundo dados do Banco Central (BC). O retorno das empresas do setor com empréstimos caiu de 21,1 p.p. em março do ano passado para 17,7 p.p., em 2013. Os dados de março são os mais recentes divulgados pelo BC.

Além do lucro dos bancos, o spread também é composto por taxa de inadimplência, tributos, custos administrativos e depósitos compulsórios, entre outros.

Esse foi o fator que mais segurou a expansão do lucro de Itaú Unibanco (1,3%), Banco do Brasil (2,2%) e Bradesco (4,5%), na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Também influenciaram mudanças na carteira de crédito para linhas de empréstimos menos arriscadas, e taxa de juros mais baixa que no início de 2012.

No caso do Santander, houve uma queda de 29,6%.

Margem de ganhos com juros (em %)

Banco1º tri de 20121º tri de 2013Variação
Itaú129,6-20
Bradesco7,67,2-5,26
Santander12,411,3-8,87
Banco do Brasil8,97,6-14,61
  • Fonte: Balanço das empresas

Governo tem tomado medidas para reduzir os juros ao consumidor

O governo iniciou, em 2011, uma batalha contra as taxas de juros cobradas pelos bancos do país. A presidente Dilma Rousseff chegou a fazer um discurso em rede nacional pedindo que os bancos diminuíssem para 'níveis civilizados' os seus ganhos.

A onda de cortes de juros nos bancos começou no início de abril do ano passado, com os bancos públicos, e continuou com os bancos privados.

Porém, em sua última reunião, o BC elevou a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,25 p.p., para 7,5% (valor mais de 30% abaixo do que era praticado em janeiro de 2011, de 11,25%).

A preocupação com os juros é que eles dificultam o crescimento da economia. Com juros mais altos, as empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção, e as pessoas também reduzem seus gastos, porque o crediário fica mais caro. Essa situação deixa a economia com menos força.

Por outro lado, com juros mais baixos, há mais consumo e mais risco de inflação, porque as pessoas compram mais e nem sempre a indústria conseguir produzir o suficiente. Quando há falta de produtos, a tendência é que eles fiquem mais caros.

A taxa básica de juros orienta o restante da economia, mas há pouco impacto na vida prática de quem precisa usar o cheque especial ou cartão de crédito. Analistas dizem que essas taxas são tão altas que pequenas variações na Selic são incapazes de aliviar ou pesar no bolso no dia a dia.

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