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Empresários devem olhar mais para os problemas sociais, diz Nobel da Paz

Eduardo Anizelli/Folhapress
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

28/05/2013 06h00

Durante palestra realizada em São Paulo (SP) na segunda-feira (27), o economista bengalês vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus, declarou que os empresários brasileiros precisam enxergar menos o lucro e olhar mais para os problemas sociais.

Segundo ele, não só no Brasil mas no mundo inteiro, o dinheiro se tornou o objetivo dos negócios. "É uma cultura baseada no egoísmo, você tira recursos da sociedade e não devolve nada para ela", afirmou.

O economista esteve na capital paulista para inaugurar o Yunus Social Business Centre, centro de negócios sociais em parceria com a universidade ESPM. Na ocasião, Yunus também falou sobre mostrar na TV histórias de beneficiários do Bolsa Família com ideias de negócios para saírem da pobreza.

As atividades do centro começam em agosto de 2013. O espaço atuará como incubadora de negócios, canal de pesquisas e oferecerá cursos de extensão.

Negócios sociais devem começar com pequenos grupos

Para Yunus, os negócios sociais não devem visar o lucro, mas sim solucionar problemas sociais, como saúde, educação, habitação e violência.

O segredo para este tipo de negócio dar certo, segundo o economista bengalês, é começar ajudando um grupo de pessoas de um bairro ou de uma aldeia. Se o resultado for positivo, a ideia pode ser ampliada e replicada em outras regiões.

"Quando você olha para as pessoas individualmente e não como grupos, você consegue atacar melhor o problema. Se resolvermos um problema na nossa vizinhança, o mundo inteiro vai aprender com isso", afirmou.

Economista é considerado "pai" do microcrédito

Yunus é o criador do microcrédito no mundo. Em 1976, começou a emprestar pequenas quantias de dinheiro do próprio bolso para mulheres de aldeias pobres de Bangladesh trabalharem por conta própria.

Superando as expectativas, recebeu de volta todo o dinheiro emprestado. Foi quando viu que poderia expandir a ideia e criar uma instituição financeira que concedesse empréstimos aos pobres rejeitados pelos bancos tradicionais. Nascia assim o Grameen Bank, principal banco credor de microcréditos para pessoas de baixa renda.

Hoje, segundo o economista bengalês, o Grameen Bank atende cerca de 40 milhões de pessoas só em Bangladesh. 97% dos clientes são mulheres e o índice de inadimplência é inferior a 1%.

Empresas poderão ser incubadas gratuitamente

O centro de negócios socias lançado por Yunus e pela ESPM iniciará as atividades, de fato, em agosto. Serão oferecidos cursos de extensão, incentivo à pesquisa acadêmica e uma incubadora de empresas.

De acordo com o coordenador da ESPM Social, Ismael Rocha Junior, a incubadora de empresas será totalmente gratuita e aberta, inclusive, para quem não é aluno da universidade.

As inscrições poderão ser feitas no site da instituição a partir de agosto. Todas as ideias de negócio passarão por uma avaliação antes de serem aprovadas. O período de incubação será de dois anos.

"Os empreendedores receberão consultoria de professores, participarão de palestras e treinamentos com especialistas no assunto, além de terem à disposição um espaço físico para montar seus escritórios", disse Rocha Junior.