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Governo zera imposto de estrangeiros para conter alta do dólar

Da Agência Brasil

04/06/2013 19h46

Brasília - O governo zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os estrangeiros que aplicam em renda fixa no Brasil. A alíquota em vigor era de 6%.

A medida, anunciada nesta terça-feira (4) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem como objetivo estimular a entrada de recursos externos e conter a alta do dólar registrada nas últimas semanas.

OS DOIS LADOS DA MOEDA

DÓLAR BAIXO É BOM PARA:
Viagens ao exterior – Se US$ 1 valesse R$ 1,50, uma viagem de U$ 1.000 custaria R$ 1.500. Mas, se o dólar estivesse em R$ 2,00, a mesma viagem ficaria em R$ 2.000
Comprar importados – Os produtos importados ficam mais baratos. As indústrias também compram equipamentos e matéria-prima por preços menores
Reduzir a inflação – Com a concorrência de produtos importados, as empresas nacionais reduzem os preços de itens similares
Diminuir dívidas de empresas – Quanto mais cai o dólar, menor a dívida. Uma empresa que deva US$ 100 mil no exterior pagaria R$ 150 mil (com o dólar a R$ 1,50) ou R$ 200 mil (com câmbio de R$ 2,00)
DÓLAR BAIXO É RUIM PARA:
Exportações – Os produtos brasileiros ficam mais caros no exterior. Um importador estrangeiro tem de gastar mais dólares para comprar o mesmo produto. Um carro brasileiro de R$ 30 mil custaria US$ 15 mil (com o câmbio a R$ 2,00). Se o dólar caísse para R$ 1,50, o mesmo veículo custaria US$ 20 mil (33% ou US$ 5 mil a mais)
Produção nacional – O consumidor pode trocar produtos nacionais por importados, o que enfraquece as vendas brasileiras, causa risco de desemprego e pode até fechar as empresas afetadas

Em maio, o dólar saltou 7% e chegou no dia 31 a R$ 2,142, a maior cotação em quatro anos.

Segundo o ministro, a eliminação do imposto foi possível porque o mercado de câmbio está normalizado, com a redução do excesso de liquidez (dinheiro em circulação no mercado) internacional, que pressionava o dólar para baixo nos últimos anos. 

"No passado, tínhamos elevado esse tributo porque havia grande liquidez na economia internacional, que entrava fortemente no Brasil e ameaçava o câmbio. Na época, fomos obrigados a colocar obstáculos para reduzir o [ingresso de] capital de curto prazo. Agora que observamos a possibilidade de a liquidez internacional se reduzir, podemos retirar esse imposto", disse Mantega em entrevista coletiva.

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