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Criador de abelhas produz o hidromel, antiga bebida dos bárbaros

André Cabette Fábio

do UOL, em São Paulo

  • Nectar/Divulgação

    O mel e a água são os dois ingredientes básicos do hidromel; na foto, abelhas depositam o mel em favos

    O mel e a água são os dois ingredientes básicos do hidromel; na foto, abelhas depositam o mel em favos

Mesmo sem tradição rural na família, Samir Moura Kadri decidiu criar abelhas enquanto cursava zootecnia há sete anos na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (a 238 km de São Paulo). Quatro anos depois, ele começou a usar parte de sua colheita para produzir o hidromel, bebida fermentada à base de mel e água consumida na antiguidade pelos povos bárbaros.

Da produção inicial de 10 garrafas mensais (500 ml cada uma) o produtor passou para 38 garrafas por mês distribuídas para sete lojas em São Paulo e Santa Catarina. O preço do produto é de R$ 15 para o consumidor.

Kadri, que hoje estuda a genética das abelhas, conheceu a bebida durante as aulas do professor Ricardo Orsi, ainda na graduação. Segundo Orsi, não é incomum os apicultores se dedicarem a essa produção de forma artesanal para presentear amigos ou para consumo próprio. "Normalmente, o mel utilizado é proveniente das floradas de eucalipto ou laranjeira", informa.

O zootecnista optou pela versão suave da bebida (a outra é seca) para agradar mais o paladar tradicional. Conforme o professor Waldemar Venturini, especialista em fabricação de bebidas da Unesp, o hidromel pode ser comparado ao vinho branco. "Só que apresenta um tom mais amarelado", informa.

Samir Kadri utiliza 17% de sua produção anual de 3.000 kg de mel para a fabricação do hidromel. Ele mantém a criação de 60 caixas de abelhas (apiários) em um sítio da família em Mogi das Cruzes (a 70 km de São Paulo) e em outras áreas arrendadas no entorno da cidade.

O zootecnista  também comercializa mel puro por R$ 5 o kg no atacado, menos que um décimo do que custa o mesmo volume transformado em hidromel, apesar do aumento do preço do mel devido à seca que causou queda na produção no Nordeste.

Segundo o produtor, o mesmo mel sai por R$ 20 a R$ 30 o kg para o consumidor nas prateleiras de mercados na cidade de São Paulo.

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Empresa curitibana aproveita estrutura de vinícola para produzir hidromel

Há dois anos, a indústria de bebidas Confraria 33, em Curitiba (PR), começou a produzir o hidromel Valkíria. A maior parte da matéria-prima é comprada de apicultores do Estado, embora a empresa tenha criações próprias de abelhas no Rio Grande do Sul.

  • Confraria 33/Divulgação

    O hidromel Valkiria sai por R$ 40 a R$ 45

Segundo Marco Aurélio Carvalho, um dos proprietários, os 300 litros iniciais, por ano, subiram para 6.000 litros no primeiro semestre de 2013. No mercado, o preço da garrafa (750 ml) custa cerca de R$ 40 a R$ 45. 

Carvalho informa que a  empresa utiliza a estrutura de uma pequena vinícola da cidade para a fabricação do hidromel. Ele considera vantajoso a empresa investir em uma fábrica própria quando a produção atingir marca de 70 mil litros por ano.  Além do hidromel, a indústria se prepara para lançar outra bebida antiga, a aquavita, de origem escandinava e feita com batata e cereais, além  de cervejas artesanais.

Onde encontrar:

Hidromel Valkiria: www.hidromelvalkiria.com. Facebook: Confraria 33

Samir Moura Kadri: (11) 98480-0017. E-mail: samirkbr@yahoo.com.br

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