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Cachaças contratam firma que faz garrafa de uísque para parecerem chiques

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

29/07/2014 06h00

Fabricantes de cachaça estão investindo em garrafas com design sofisticado para tentar conquistar os consumidores do mercado de luxo. As marcas 51, Yaguara, Caraçuípe e Antônio Rodrigues são alguns exemplos da tentativa dos fabricantes de chegar perto da aura mais refinada que ronda outros destilados, como a vodca e o uísque. 

Elas fizeram parcerias recentes com a fabricante de vidros americana Owens-Illinois, e envasam seus produtos em garrafas da linha de luxo da empresa, chamada Covet.

Essa linha é usada em bebidas como os uísques Black Grouse  (Escócia) e Jack Daniels (EUA), e o champanhe Duval-Leroy (França). As marcas de rum Cartavio (do Peru), Maestro Botero e Medellin (ambos da Colômbia) também têm embalagens da marca.

A garrafa da cachaça Yaguara foi feita em parceria com o artista britânico Brian Clarke. É azul e tem ondas brancas que remetem ao desenho do calçadão da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O produto, orgânico, custa R$ 97.

Foi também com embalagem de luxo que chegou ao mercado a cachaça Antônio Rodrigues – Reserva do Coronel. Rodrigues é dono de marcas mais populares, como a Seleta, mas decidiu associar seu nome a um produto mais sofisticado, cuja garrafa custa R$ 140.

As novas garrafas da 51, sendo uma exclusiva para exportação, e duas da Caraçuípe, também levam o design da linha Covet.

'Produto nobre com embalagem pobre'

"O mercado de cachaça tem uma característica curiosa, que é ser nobre, com embalagem pobre. Grande parte das cachaças especiais é vendida em uma garrafa convencional de cor âmbar [amarronzada] e 600 ml", diz Adalberto Viviani, consultor da linha Covet no Brasil.

Segundo ele, o objetivo da Owens-Illinois é tratar o segmento de bebidas como o de perfumes, que tem embalagens exclusivas para se destacar entre os concorrentes. Com garrafas luxuosas, a expectativa é que a cachaça mantenha sua tradição, mas chame tanto a atenção quanto outros destilados nas prateleiras de bares e restaurantes sofisticados.

Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), o segmento superpremium soma apenas 5% do mercado do produto no Brasil. Mas esse tem sido o foco de muitas empresas porque o mercado de cachaças como um todo teve queda entre 5% e 8% nas vendas nos últimos anos. O Ibrac não tem dados totais de vendas.

"O que vem sendo aparente nos últimos dez anos é uma atenuação do estigma negativo que existia em relação à cachaça. A tequila também passou por isso. Há 30 anos, era um produto muito barato, que mexicanos sofisticados não consumiam, e hoje isso mudou. O mesmo tende a acontecer com a cachaça", diz o presidente do Ibrac, Vicente Bastos.

Ele afirma que não existe uma definição do que faz uma cachaça ser superpremium. De maneira geral, uma cachaça é considerada de qualidade se seguir normas de produção do Ministério da Agricultura. Para ser considera premium ou superpremium, o produto precisa, ainda, ter outras qualidades, como aroma e sabor agradáveis e embalagem sofisticada. Nem sempre essas características estão juntas. 

Dados do International Wine and Spirits Research (IWSR) mostram que o segmento do mercado de destilados superpremium, que custam acima de US$ 26 (cerca de R$ 58), vem crescendo rapidamente no mundo todo. A expectativa é que, até 2017, esse segmento cresça 17% na América Latina, impulsionado pelo aumento da renda da população. 

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