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Novo ministro corta pela metade a meta de economia do governo para 2015

Alexandre Tombini (esq.), presidente do BC; Nelson Barbosa (ao centro), novo ministro do Planejamento; e Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda - Pedro Ladeira/Folhapress
Alexandre Tombini (esq.), presidente do BC; Nelson Barbosa (ao centro), novo ministro do Planejamento; e Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

27/11/2014 16h16Atualizada em 27/11/2014 18h13

O governo tem como objetivo imediato estabelecer nova meta de superavit primário (economia para pagar juros da dívida) para os próximos anos, segundo o recém-anunciado ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Levy discursou após o anúncio oficial do governo da nova equipe econômica. Ele afirmou que, para 2015, é preciso trabalhar com meta de superavit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto); para 2016, a meta não será menor que 2% do PIB.

A nova meta para 2015 equivale a menos da metade da que estava prevista até agora. Em abril, o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, tinha anunciado uma meta de economia de 2,5% do PIB.

Com a mudança, Levy confirmou a informação de que pretende adotar metas realistas de economia, para entregar o que promete. Mantega tem sido muito criticado pelo mercado por não cumprir as metas propostas.

Em seu primeiro pronunciamento, Levy anunciou a decisão do Ministério de tornar a compatibilidade pública mais transparente. Para ele, o novo patamar de superavit é compatível com o objetivo de reduzir o endividamento do país.

O futuro ministro também afirmou que o governo federal vai aumentar a poupança especialmente por meio do superavit primário, e que vai tentar estimular a poupança das famílias e empresas.

Entenda o que é superavit primário

Superavit primário é o quanto de receita o governo consegue economizar, sem considerar os gastos com os juros da dívida pública. A economia do governo é feita quando se arrecada mais do que se gasta. É essa sobra que o país usa para pagar os juros da dívida.

Obter o superavit é importante para conter o aumento da dívida pública e de calote no futuro.

A dívida pública é contraída, entre outras situações, quando o governo vende títulos para os aplicadores. Ele promete aos investidores pagar juros no futuro, como acontece com qualquer outro investimento financeiro.

Se o governo não economizar, a dívida pode crescer muito e ele não tem como pagar. Isso caracterizaria o calote.

Fazer muito superavit primário não tem só esse lado bom de guardar dinheiro para pagar as dívidas. O governo realiza essa economia aumentando impostos e deixando de gastar, por exemplo, em investimentos em obras e serviços.

Isso prejudica o crescimento da economia: as empresas investem menos, contratam poucos trabalhadores ou chegam a demiti-los. Tudo isso enfraquece o desenvolvimento econômico.

Governo anuncia nova equipe econômica

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (27) a nova equipe econômica, que vai fazer parte do segundo mandato do governo de Dilma Rousseff.

Além de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, foi anunciado o nome de Nelson Barbosa para presidir o Ministério do Planejamento. Alexandre Tombini foi mantido como presidente do Banco Central.

Em seu discurso, Tombini afirmou que o Banco Central tem objetivo de assegurar o poder da moeda com o controle da inflação, e que a instituição tem trabalhado para estabildiade do sistema financeiro nacional.

Ele afirmou que o Banco Central tem feito esforços para que a inflação se mantenha sob controle e volte ao centro da meta do governo, que é de 4,5% (com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo).

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