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Vinho, perfume e eletrônicos vão subir com mais imposto? Empresas respondem

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Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

26/06/2015 06h00

O aumento do imposto para produtos importados, sancionado pela presidente Dilma Rousseff no início desta semana, vai aumentar o preço de produtos como vinhos, perfumes e eletrônicos trazidos do exterior?  Segundo empresas importadoras consultadas pelo UOL, o impacto deve ser pequeno.

A nova regra sobe de 9,25% para 11,75% a taxa de PIS/Cofins para importados. Para algumas categorias de produtos, o aumento foi maior, como remédios (de 12% para 15,79%) e cosméticos e perfumes (de 12,5% para 20%). A lei começa a valer no dia 1º de outubro.

A alta faz parte do pacote de ajuste fiscal, medidas tomadas pelo governo para tentar equilibrar as contas públicas. O governo espera elevar a arrecadação em R$ 694 milhões neste ano e em quase R$ 1,2 bilhão anualmente a partir de 2016.

Impostos serão 77,78% do preço de vinhos importados

Segundo cálculos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), a nova taxa de PIS/Cofins fará com que a carga tributária de vinhos importados, por exemplo, passe de 75,88% para 77,78%. No caso dos vinhos nacionais, a carga é de 54,73%.

Mesmo com o aumento, Antoine Zahil, da Zahil importadora de vinhos de 14 países, diz que não deve elevar o preço para o consumidor final. "O impacto no preço é só de 1% a 2%", diz.

Para empresário, decisão do STF compensa a alta do imposto

Zahil cita uma decisão do Supremo Tribunal Federal que resultou em diminuição dos tributos cobrados sobre importados. Como a companhia não repassou a queda para o preço final, a alta do PIS/Cofins, agora, compensa a diferença.

A decisão do STF, de outubro de 2014, é referente à cobrança de imposto sobre imposto.

Antes, o governo federal recolhia o PIS/Cofins de produtos importados sobre um valor em que já estava embutido outro imposto, o ICMS , que é estadual. O STF decidiu que a cobrança é inconstitucional e que o valor de base para o cálculo do PIS/Cofins não pode conter outro imposto. 

Aumento não afetará perfumes e cosméticos, diz entidade

Os preços do setor de cosméticos e perfumes importados também não devem ser muito afetados. "Não muda nada porque tem pouco impacto no custo", diz Jacob Nir, presidente da Adipec (Associação dos Distribuidores e Importadores de Perfumes, Cosméticos e Similares) e dono de uma importadora.

Companhia afirma que preço do Playmobil não vai subir

A Sunny, importadora de brinquedos como os bonecos Playmobil e a linha Frozen, diz que vai diminuir a margem de lucro para não repassar o aumento do PIS/Cofins.

"Já revisamos a tabela de preços em janeiro e em março, por causa da alta do dólar", diz Gabriel Candi, diretor financeiro da empresa. "Os preços já estão salgados, e o mercado não vai absorver outra alta."

Franquia de eletrônicos calcula custos 5,6% mais altos

Na área de itens eletrônicos importados, Airton Fonseca Joaquim, sócio da franquia Nexar, diz que o aumento do tributo corresponderá a alta de 5,6% nos custos da empresa.

Ele afirma porém, que os preços já estão pressionados pelo dólar e que a mudança no imposto não vai representar alta significativa para o consumidor. 

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