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Entenda transgênicos e Monsanto, criticados em novo álbum de Neil Young

Mariana Bomfim

Do UOL, em São Paulo

30/06/2015 06h00

Lançado neste mês, o novo álbum do cantor canadense Neil Young, "The Monsanto Years", é inteiramente dedicado a criticar a multinacional Monsanto, do setor de biotecnologia agrícola, e outras empresas ligadas a alimentos transgênicos.

Pioneira no desenvolvimento de sementes transgênicas, a Monsanto é criticada não só por Young, mas por ativistas contrários a essa tecnologia no mundo todo. Transgênicos são espécies cuja genética foi modificada para que elas tenham novas características.

As sementes podem, por exemplo, gerar plantas resistentes a pragas e aumentar a produtividade das lavouras.

Críticos dizem que transgênicos não são seguros

Os críticos, porém, dizem que não há provas suficientes de que os transgênicos sejam seguros para a saúde humana e para o meio ambiente. Eles também são contra o uso de agrotóxicos.

Segundo Renata Amaral, pesquisadora do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) em plantações de transgênicos, começam a surgir novas pragas, que precisam ser combatidas com agrotóxicos mais fortes. Assim, por exemplo, a Monsanto produz o agrotóxico Roundup e as sementes Roundup Ready (à prova de Roundup), que não são afetadas pelo herbicida.

"O agricultor fica refém da empresa", diz a pesquisadora. "O mercado é dominado pelas sementes transgênicas e, quando o produtor compra a semente, precisa comprar também o agrotóxico próprio para aquela espécie".

Para Monsanto, críticas são mitos

A diretora de assuntos corporativos da Monsanto, Maria Cláudia Souza, diz que as críticas aos transgênicos e agrotóxicos são mitos. "É falta de informação sobre a empresa", diz. "Essas tecnologias passam por um longo processo regulatório que garante sua segurança para a saúde e o meio ambiente".

Ela também afirma que a Monsanto falhou em se comunicar com o consumidor, o que teria favorecido os críticos. "Se hoje existem mitos, é culpa da própria Monsanto, que não foi ativa o suficiente para se comunicar, principalmente nos centros urbanos. Para quem mora nas cidades, o desenvolvimento tecnológico da agricultura é um grande desconhecimento", diz.

As polêmicas parecem não afetar os negócios da Monsanto. No terceiro trimestre, o lucro líquido da empresa subiu 33%, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Dos US$ 4,58 bilhões em vendas no trimestre, 70% vieram da área de sementes. O restante corresponde à venda de agrotóxicos.

Transgênicos e agrotóxicos são controversos entre cientistas

A segurança dos transgênicos e agrotóxicos para a saúde e o meio ambiente gera controvérsia até no meio científico.

Para o agrônomo Rubens Nodari, professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), existem estudos que mostram os efeitos nocivos dos agrotóxicos usados em lavouras de transgênicos.

"Os dados que a Monsanto apresenta não têm consistência", diz. "A concentração segura de agrotóxico nas plantas é 10% do que a informada pela companhia."

Já o engenheiro agrônomo José Otávio Menten, professor da USP (Universidade de São Paulo), afirma que todos os estudos necessários para comprovar a segurança dos transgênicos e dos agrotóxicos já foram feitos.

"Só existe risco se os herbicidas forem usados de maneira inadequada", diz.