Risco-país da Argentina fica abaixo do brasileiro, aponta banco JP Morgan

Do UOL, em São Paulo

  • Alan Marques/ Folhapress

Está mais seguro investir na Argentina do que no Brasil, apontou nesta quarta-feira (13) o banco norte-americano JP Morgan, por volta das 14h30 (horário de Brasília). O banco estimou em 467 pontos o risco-país para os títulos de dívida do país vizinho, abaixo dos 497 pontos para os brasileiros.

O indicador mede o risco de aplicar recursos em títulos públicos, principalmente em países emergentes, e ajuda os investidores a tomarem decisões. Quando o risco é maior, por exemplo, eles esperam ter um ganho maior em troca.

A redução do risco argentino é vista como um sinal de que investidores estão confiantes em um acordo do governo do recém-eleito presidente Mauricio Macri com credores.

Dezoito meses depois de a Argentina ter interrompido as negociações, Macri tenta retomá-las, alimentando o otimismo de que o país finalmente conseguirá deixar para trás uma disputa jurídica que já dura dez anos. 

Macri disse ontem, em entrevista coletiva, que quer encerrar esse "tema de conflito". "Amanhã mostraremos que houve uma mudança aqui, que temos outra visão sobre as dívidas e que queremos deixar de ser um país devedor", apontou.

"Queremos deixar de ser um país catalogado como inadimplente. Queremos encerrar o assunto e buscar uma solução. Queremos ser um país com boas relações com o mundo inteiro", disse.

O novo líder argentino quer articular um acordo, a fim de voltar a tomar empréstimos no exterior para financiar obras públicas, sua estratégia para retomar a economia local.   

Entenda a disputa com credores

Em 2001, em meio a uma grave crise econômica e social, a Argentina declarou que não tinha como pagar aos credores que detinham títulos da dívida pública do país. Foi o maior calote de sua história.

Nos anos seguintes, negociou várias propostas com esses credores. Em 2005, conseguiu chegar a um acordo com 75% deles. Em 2010, o governo tentou uma nova renegociação da dívida, e dessa vez atingiu 92,5% de adesão dos credores.

Esses credores aceitaram a oferta do governo argentino preferindo receber entre 40% e 65% em vez de perder tudo.

Uma parte dos credores, no entanto, rejeitou fazer acordo. São credores individuais e institucionais de Alemanha, Japão, Estados Unidos, Itália --neste caso, milhares de aposentados-- e também da Argentina.

Desse grupo, os fundos de investimento especulativos --os chamados "fundos abutres"-- representam apenas 1%. Eles são poucos, mas têm poder de fogo suficiente para contratar poderosos escritórios de advocacia e fazer lobby para recuperar na justiça 100% da dívida em dinheiro.

Os fundos abutres conseguiram uma decisão favorável em uma corte de Nova York em 2012, referendada por um tribunal de apelação, e conseguiram o direito de cobrar US$ 1,5 bilhão da Argentina, entre capital e juros. A Suprema Corte dos EUA negou o pedido do país para analisar o caso.

Em 2014, o juiz norte-americano Thomas Griesa mandou bloquear US$ 900 milhões que a Argentina usaria para pagar os credores que aceitaram o acordo. Segundo Griesa, o desbloqueio só aconteceria se o país pagasse US$ 1,3 bilhão ou fizesse um novo acordo com quem não tinha entrado na renegociação.

Como nenhuma dessas opções aconteceu, a Argentina deixou de honrar seus compromissos e deu seu segundo calote em 13 anos.

(Com agências de notícias)

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