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BC faz 1ª reunião do ano sobre juros, dividido entre inflação e crescimento

Do UOL, em São Paulo

  • Nelson Antoine / FramePhoto / Agência O Globo

    Centrais sindicais protestam contra juros altos em frente à sede do BC em São Paulo

    Centrais sindicais protestam contra juros altos em frente à sede do BC em São Paulo

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central define nesta quarta-feira (20) a Selic, a taxa básica de juros do país, após dois dias de reunião. É o primeiro encontro do Copom neste ano. Desde julho, a taxa está em 14,25% ao ano.

O BC encontra-se em um dilema: deve subir os juros para tentar segurar a inflação, mas fazendo isso pode atrapalhar ainda mais a recuperação da economia brasileira.

Além disso, precisa reconquistar a confiança do mercado e mostrar que tem autonomia para tomar decisões --fazer o que tem que ser feito, apesar de pressões de alas do governo para baixar os juros.

A Selic é uma taxa de referência e remunera investimentos com títulos públicos, por exemplo. Não representa os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

Inflação X crescimento

O principal objetivo de subir os juros é tentar controlar a inflação. No ano passado, a alta de preços no país atingiu 10,67%, valor mais alta desde 2002. A meta era manter a inflação em 4,5% ano ano, com tolerância de dois pontos percentuais para baixo ou para cima (ou seja, poderia ir de 2,5% a 6,5%). 

Por outro lado, juros altos dificultam o crescimento, principalmente num momento de crise e desemprego, como o que o Brasil enfrenta. O BC estima que a economia brasileira tenha encolhido 3,6% em 2015. Já o número de desempregados chegou a 9,1 milhões (9%) no trimestre de agosto a outubro.

Nesse cenário, mesmo economistas conhecidos por suas posições severas contra a inflação têm defendido que o BC não deveria subir os juros.

Para outros, no entanto, não há outra saída. "Se não fizer nada agora, a inflação vai crescer e vai ficar mais difícil tratar lá para frente", disse o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, em entrevista à agência de notícias Reuters.

Reviravolta nas expectativas

Muitos analistas e investidores mudaram suas previsões para os juros de ontem para hoje. O motivo foi a divulgação de um comunicado do Banco Central afirmando que "todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas".

O texto foi publicado no site do BC pouco depois de o FMI (Fundo Monetário Internacional) ter piorado as projeções para a economia brasileira. Em relatório, o Fundo prevê encolhimento de 3,8% em 2015, recuo de 3,5% em 2016 e estagnação em 2017, com a volta do crescimento só em 2018.

"A leitura é de que ou o BC mantém os juros, ou sobe pouco e culpa a fraqueza da atividade", disse o operador da corretora Renascença Thiago Castellan Castro à Reuters.

Antes disso, a maioria apostava em alta de 0,5 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Entre outras razões, devido às fortes sinalizações nesse sentido dadas pelo próprio BC.

Agora, porém, houve um racha. De 43 economistas consultados pela agência de notícias Reuters, 24 esperam que o BC eleve os juros em 0,50 ponto percentual, 11 preveem um aumento de 0,25 ponto e 8 veem manutenção da taxa.

(Com Reuters e Valor)

Inflação causa redução do prato feito

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