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Plano Cruzado, 30 anos, teve preços tabelados e fiscais do Sarney; lembre

Maria Carolina Abe

Do UOL, em São Paulo

28/02/2016 06h00

Houve um tempo no Brasil em que os salários subiam automaticamente para acompanhar a inflação, os preços eram fixos e os supermercados que ousassem fazer reajustes eram denunciados pelo povo e fechados. Parece bom, só que não.

Alexandre Tokitaka/Folhapress
Imagem: Alexandre Tokitaka/Folhapress

Em 28 de fevereiro de 1986, uma sexta-feira, o governo de José Sarney (PMDB) decretou feriado bancário e anunciou o Plano Cruzado, uma espécie de "irmão mais velho" mal-sucedido do Plano Real.

Moreira Mariz/Folhapress
Imagem: Moreira Mariz/Folhapress

Se hoje o vilão no Brasil é o Aedes aegypti, naquele momento, o inimigo número 1 era o dragão da inflação. Eram tempos de inflação alta. Chegou a 235% em 1985 --para comparar, em 2015, foi de 10,67%.

Julos/Getty Images
Imagem: Julos/Getty Images

A moeda do momento era o cruzeiro (Cr$). Cortaram três zeros e mudaram o nome: virou Cruzado (Cz$).

Reprodução/Banco Central
Imagem: Reprodução/Banco Central

Subiram os salários: aumento de 8% aos funcionários públicos e de 15% para o salário mínimo (na época, de Cz$ 804, equivalente a US$ 67).

Criou-se também o "gatilho salarial" ou "seguro-inflação": os salários deveriam subir automaticamente sempre que a inflação passasse de 20%.

Márcia Zoet/Folhapress
Imagem: Márcia Zoet/Folhapress

Congelaram os preços de alimentos, combustíveis, produtos de higiene e limpeza, além dos serviços. Congelaram o câmbio também: Cz$ 13,84 por US$ 1. 

Criaram a "tabela da Sunab", publicada nos jornais e fixada nos supermercados, mostrando quanto cada coisa deveria custar. 

U. Dettmar/Folhapress
Imagem: U. Dettmar/Folhapress

O povo se mobilizou --e não foi por causa da Copa do Mundo. Com a tabelinha em mãos, checavam se os preços estavam sendo respeitados.

Jorge Araújo/Folhapress
Imagem: Jorge Araújo/Folhapress

Surgia, assim, a figura dos "fiscais do Sarney". 

Antonio Lúcio/Estadão Conteúdo
Imagem: Antonio Lúcio/Estadão Conteúdo

Descumpriu a tabela? A Sunab vinha e fechava. E o povo gostava.

Rogério Carneiro/Folhapress
Imagem: Rogério Carneiro/Folhapress

Arquivo/Estadão Conteúdo
Imagem: Arquivo/Estadão Conteúdo

No começo, deu certo. O poder de compra e as condições de vida dos brasileiros melhoraram. O presidente virou herói da Nova República. Mas não durou muito.

Jorge Araújo/Folhapress
Imagem: Jorge Araújo/Folhapress

Todo mundo queria comprar.

Antonio Carlos Mafalda/Folhapress
Imagem: Antonio Carlos Mafalda/Folhapress

Por outro lado, os produtores não queriam produzir mais com aqueles preços.

Vidal Cavalcanti/Folhapress
Imagem: Vidal Cavalcanti/Folhapress

Resultado: prateleiras vazias.

Arquivo/Estadão Conteúdo
Imagem: Arquivo/Estadão Conteúdo

Houve filas e até racionamento de produtos. O governo chegou a apelar para a "desapropriação" de bois no pasto para tentar atender o consumidor.

Jair Malavazi/Agência Estado
Imagem: Jair Malavazi/Agência Estado

Depois de nove meses, nascia um novo plano: o Cruzado 2. Os preços foram descongelados e a inflação voltou a todo vapor.

Tadashi Nadagomi/Folhapress
Ministros João Sayad (Planejamento) e Dílson Funaro (Fazenda) anunciam Cruzado II Imagem: Tadashi Nadagomi/Folhapress

Também não deu certo. Então, vieram novos planos econômicos, que também fracassaram. A inflação, como hoje sabemos, só conseguiu ser controlada com o Plano Real, lançado em 1994.

E foi assim que os anos 1980 ficaram conhecidos como a "década perdida".

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