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Veja como é a pesca de sardinha em SC, que domina 90% da produção no país

Julimar Pivatto

Colaboração para o UOL, em Itajaí (SC)

Com 530 km de extensão e praias belíssimas, não é só o turismo que movimenta o litoral de Santa Catarina.

O centro da pesca fica nas cidades de Itajaí e Navegantes, na foz do rio Itajaí. A pesca é o setor que mais gera empregos na região: são cerca de 5.000 trabalhadores diretos e outros 50 mil indiretos no Estado.

Entre 80% e 90% da sardinha brasileira desembarca em Itajaí e Navegantes (em relação à pesca em geral, Santa Catarina responde por 60%). Isso atraiu para a região as maiores empresas de sardinha em lata do país.

Sardinha é o peixe mais pescado na região

A sardinha é o peixe marinho mais consumido no Brasil e representa um quinto do que é pescado em todo o território nacional, segundo Paulo Ricardo Schwingel, doutor em Ciências Naturais e professor dos cursos de Oceanografia e Engenharia Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

A empresa foi fundada em 1954, no Rio de Janeiro, por um imigrante português. Em 1998, resolveu se mudar para Santa Catarina. Em 2004, foi comprada pela multinacional espanhola Calvo.

Cardumes migraram --e a fábrica foi atrás

Adão de Sá, diretor industrial da Gomes da Costa, uma das empresas na região, explica que a sede era no Rio de Janeiro mas mudou para Santa Catarina nos anos 90 por causa da poluição.

"Na metade do século 20, o Rio de Janeiro era o principal produtor de sardinha do país, e os cardumes se concentravam na baía de Guanabara. Porém, a poluição fez com que eles migrassem para o sul e, com isso, ficou mais viável que a empresa viesse também."

Soma-se a isso a presença de mão de obra especializada na região, com estaleiros especializados na construção e reparo de embarcações, e a presença do porto.

"Durante muito tempo, Santos (SP) e Rio Grande (RS) eram os maiores portos pesqueiros do país. Mas, por questões de logística, muitos pescadores migraram para a foz do rio Itajaí, que fica no meio desses dois portos", conta Marco Bailon, coordenador técnico do Sindicato dos Armadores e Indústria de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi).

Outros peixes e frutos do mar

Barcos de Itajaí e Navegantes se especializaram nas mais variadas formas de pesca. Por isso, não se prendem a apenas uma cultura. Lá são pescados desde frutos do mar até peixes de superfície e profundidade.

Isso permite manter a atividade em épocas em que a pesca de determinadas espécies está suspensa ou no caso de alguma ter dificuldade de se reproduzir.

Conserto de barcos e redes

Lucas Amorelli/UOL
Estaleiros menores e artesanais são normalmente administrados por famílias

A foz do Rio Itajaí possui mão de obra especializada, e não só de pescadores embarcados. Há uma boa quantidade de estaleiros que fazem manutenção de motores, guinchos e do barco como um todo.

Lucas Amorelli/UOL
Francisco de Oliveira Pinto, 30, ajuda o pai no estaleiro desde os 14 anos

"Até alguns anos, a gente também fabricava muitos barcos, mas com a crise e a diminuição dos incentivos para a pesca, agora é muito difícil fazer uma embarcação nova. Nosso principal serviço é o conserto mesmo", diz Francisco de Oliveira Pinto, 30.

Desde os 14, ele ajuda o pai no estaleiro que fica às margens do rio Itajaí, em Navegantes. Com tradição em carpintaria, a família adaptou os serviços e hoje se dedica a consertar os barcos pesqueiros da região.

Lucas Amorelli/UOL
Orlando Rosa, 62, fabrica e conserta redes de pesca

A queixa é a mesma de Orlando Rosa, 62, que se dedica a fazer e consertar outro item essencial para a pesca: as redes. "Hoje eu faço no máximo uma rede nova por ano. Para diminuir os custos, os armadores preferem consertar as que já têm."

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