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Quais os papéis de Dilma e Temer na economia fraca? Analistas avaliam

Thâmara Kaoru

Do UOL, em São Paulo

  • Marcos Santos/USP Imagens

A economia brasileira encolheu em 2016. O PIB (Produto Interno Bruto) fechou em queda de 3,6% e, pelo segundo ano consecutivo, registrou resultados negativos. É a mais longa recessão pela qual o país já passou.

Para especialistas ouvidos pelo UOL fatores políticos e econômicos contribuíram para o encolhimento. Há quem diga que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff melhorou o cenário, enquanto outros afirmam que o presidente Michel Temer não cumpriu a promessa de recuperar a economia.

"Com Dilma, poderia ser pior"

Pedro Raffy Vartanian, professor de economia e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica da Universidade Presbiteriana Mackenzie afirma que a queda se deve, principalmente, pelo ambiente econômico e que, sem uma mudança no comando do país, o resultado do PIB poderia ter sido pior.

"Embora as medidas não tenham acontecido, elas trouxeram expectativa. Antes havia incerteza do que seria aprovado. Na reforma da Previdência, por exemplo, a base de Dilma era contra. Com [Michel] Temer, as expectativas melhoraram e foi positivo. O resultado do PIB poderia ter sido menor", disse.

"Temer não melhorou a economia"

Em contraposição, Guilherme Santos Mello, professor do Instituto de Economia da Unicamp, diz que Temer não melhorou a economia. "Em 2015, o país não saiu da recessão, e diziam que a culpa era da Dilma e, se ela saísse do governo, a confiança iria voltar. A Dilma saiu, o crescimento não veio e a confiança não voltou".

Ele afirma que a incerteza política começou em 2013. "Em 2015, a incerteza passa a ser não só eleitoral, mas constitucional também com o impeachment de Dilma".

Mello discorda da tese de que decisões do governo Dilma de 2012 e 2013 se reflitam ainda hoje. "Decisões erradas têm consequência a longo prazo, mas culpar uma decisão de 2012 com o que acontece em 2017 é um exagero", opinou.

Para ele, em 2015, o governo adotou novo discurso com a chegada do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy com alta nas taxas de juros, cortes de despesas e medidas com viés pró-mercado na esperança de retomar a confiança do consumidor.

Crescimento zero em 2017

"Para 2017, esperamos crescimento zero, ou um pouquinho acima disso. Neste ano, não vai ter grande recuperação, vai ficar para 2018", afirmou o economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall, que vê expansão de 2,5% no próximo ano.

O Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas), já tinha cenário mais pessimista e previa queda de 0,9% do PIB nos últimos três meses de 2016. O Ibre manteve a projeção de avanço de 0,4% para o PIB deste ano. "A recessão é longa e disseminada. Será uma recuperação lenta e gradual", afirmou a pesquisadora do Ibre/FGV, Silvia Matos.

Pesquisa mais recente do Banco Central com analistas mostrava que a expectativa era de que o PIB cresça 0,49% neste ano e 2,39% em 2018.

Estabilidade, e não crescimento

O professor da Unicamp Guilherme Mello disse que o país não está diante de uma retomada da economia, mas de uma estagnação. "Na recuperação cíclica há deflação, queda de endividamento e condição para uma pequena estabilização. Mas o patamar está baixo. Parece que, se não caiu mais, melhorou, mas, na verdade, não está bom. É possível que em 2017 haja uma recuperação cíclica, que dá estabilidade, mas com um PIB baixo", afirmou.

Para ele, a retomada da economia requer novos investimentos, ampliação de emprego e de renda e aumento do crédito. "O quadro não é simples. Não vejo retomada, vejo uma estabilidade".

(Com Reuters)

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