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Exclusivo: como é o teste de um avião novo, que inclui até queda de barriga

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL, em São José dos Campos (SP)

Depois que um avião termina de ser fabricado, como os profissionais responsáveis por sua criação sabem que ele está realmente pronto e seguro para voar?

Para responder a essa questão, o UOL foi até a fábrica da Embraer, em São José dos Campos (97 km da nordeste de São Paulo). A reportagem acompanhou, de perto e de maneira exclusiva, os testes que a empresa brasileira faz em seus jatos recém-saídos da linha de montagem.

No local, são fabricados a cada ano cerca de 100 modelos da família E-Jet, aviões de médio porte com até 130 lugares. Também é lá que nascem as aeronaves executivas da companhia, como o Legacy 450 e o Lineage 1000E.

Após terem sua construção finalizada em solo, essas máquinas passam por minuciosos ensaios em voo, nos quais são testados todos os aspectos de sua estrutura, da aerodinâmica aos motores.

Espaço aéreo exclusivo

Os jatos decolam da pista que existe ao lado da fábrica da Embraer e, em viagens que chegam a durar duas horas, sobrevoam boa parte do Vale do Paraíba. A bordo, um piloto, um copiloto e um engenheiro de voo.

"Nós utilizamos um espaço aéreo exclusivo para esses testes", diz o comandante Antonio Bragança, apontando, em um radar, uma área triangular localizada entre as movimentadas rotas aéreas que conectam São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

"O voo tem o objetivo de garantir que as aeronaves estejam em condições perfeitas para serem entregues a nossos clientes", diz Bragança.

Queda de barriga

No trajeto, os pilotos fazem procedimentos capazes de dar frio na espinha de quem não está familiarizado com as práticas da aviação.

Um dos métodos de checagem é a realização do "estol", em que o piloto diminui a velocidade para causar perda de sustentação e fazer a aeronave cair praticamente na posição horizontal (ou "de barriga") por diversos metros, sem ficar inclinada em direção ao chão. Nos testes, os motores dos jatos também são desligados no meio do voo.

Um dos objetivos desses ensaios é verificar a estabilidade e o poder de recuperação dos aviões em possíveis situações de pane e em outros incidentes que possam ocorrer no ar. Durante a viagem, o engenheiro de voo também checa o funcionamento dos compartimentos de bagagem, dos banheiros e dos espaços destinados aos comissários de bordo.

Os testes são conduzidos por profissionais extremamente experientes. O comandante Bragança, por exemplo, que pilotou o voo do qual o UOL participou, foi membro da Esquadrilha da Fumaça e, há décadas, realiza ensaios em voo para a Embraer.

Para saber mais detalhes sobre como são estes testes, veja o vídeo acima, feito em um modelo E-175 que estava prestes a ser entregue para a companhia norte-americana Delta Airlines.

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