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Juros do cartão caem quase pela metade para quem pagou valor mínimo

Do UOL, em São Paulo

Os juros do rotativo do cartão de crédito tiveram uma forte queda em julho para quem pagou pelo menos o valor mínimo da fatura. Caíram quase à metade do que foram no ano passado: de 438,3% para 223,8% ao ano. Para quem não pagou nem o valor mínimo sugerido, porém, os juros subiram em relação ao ano anterior: foram de 502% para 504% ao ano. Considerando a média dos dois tipos de juro, os cartões também tiveram redução expressiva, comparando com 2016: caíram de 469,8% para 399,1% ao ano (veja esses números detalhados mais abaixo).

A taxa de juros do rotativo é cobrada quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão e empurra a dívida para frente. Desde abril, ela só pode ser cobrada do consumidor durante um mês e, depois, o banco deve oferecer uma alternativa mais barata (em geral, é o parcelamento da fatura). O governo criou novas regras para o cartão para conter a cobrança de juros sobre juros, que faz a dívida do consumidor virar uma bola de neve.

Veja como ficaram os juros em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Banco Central:

Rotativo do cartão de crédito 

  • Para quem pagou o valor mínimo da fatura: 223,8% ao ano
  • queda de 6,4 pontos na comparação com junho (230,2%);
  • queda de 214,5 pontos em relação a julho de 2016 (438,3%).
  • Para quem não pagou nem o valor mínimo da fatura: 504% ao ano
  • alta de 39,3 pontos na comparação com junho (464,7%); 
  • alta de 2 pontos em relação a julho de 2016 (502%).
  • Média (considera as duas opções acima): 399,1% ao ano
  • alta de 18,3 pontos na comparação com junho (380,8%); 
  • queda de 70,7 pontos em relação a julho de 2016 (469,8%).

Parcelamento da fatura do cartão de crédito

  • 159,5% ao ano
  • alta de 1,6 ponto na comparação com junho (157,9%); 
  • alta de 8,1 pontos em relação a julho de 2016 (151,4%).

Novas regras do cartão de crédito

Desde 3 de abril, o consumidor só pode usar o rotativo do cartão por, no máximo, 30 dias. Após esse período, o banco deve apresentar uma proposta mais vantajosa para o cliente, como o crédito parcelado, no qual você define o número de prestações na hora da aquisição. Nesse caso, os juros são mais baixos que no rotativo, mas ainda assim altos.

Antes, se o consumidor não pagava o valor total da fatura do cartão de crédito, a dívida era jogada para o mês seguinte, por meio do chamado crédito rotativo. Isso acontecia mês a mês, sucessivamente, com a cobrança de juros sobre juros, transformando a dívida numa bola de neve.

Esses são números médios e podem variar para cada situação específica, porque os bancos oferecem taxas diferentes de acordo com o plano contratado pelo cliente e a relação entre eles (quem tem mais dinheiro no banco paga menos taxas).

Confira a variação de outras modalidades de crédito:

  • Rotativo do cartão de crédito: de 380,8% ao ano em junho para 399,1% ao ano em julho;
  • Cartão de crédito parcelado: de 157,9% ao ano em junho para 159,5% ao ano em julho;
  • Cheque especial: de 322,6% ao ano em junho para 321,3% ao ano em julho;
  • Crédito pessoal não-consignado: de 125% ao ano em junho para 132,2% ao ano em julho;
  • Crédito pessoal consignado: se manteve em 27,4% ao ano em julho;
  • Compra de veículos: de 24% ao ano em junho para 23,8% ao ano em julho;
  • Financiamento imobiliário: se manteve em 9,2% ao ano em julho.

Taxa básica de juros

No mês passado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC decidiu cortar novamente a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual, de 10,25% para 9,25% ao ano, na sétima baixa seguida. É o menor nível em quase quatro anos.

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

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