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Em um ano, juros do cartão caem pela metade para quem pagou valor mínimo

Do UOL, em São Paulo

Os juros do rotativo do cartão de crédito tiveram uma forte queda em agosto para quem pagou pelo menos o valor mínimo da fatura. Caíram mais que à metade em relação aos registrados no mesmo mês do ano passado: de 446,5% para 221,4% ao ano. Apesar da queda, os valores ainda são altos e fazer dívidas no cartão é um hábito que deve ser evitado, segundo especialistas. 

Para quem não pagou nem o valor mínimo sugerido, os juros caíram bem menos em relação ao ano anterior: foram de 514,9% para 506,1% ao ano.

Considerando a média dos dois tipos de juro, os cartões também tiveram redução expressiva, comparando com 2016: caíram de 482,7% para 397,4% ao ano.

Em relação ao mês anterior, porém, os juros tiveram pouca variação em agosto. A taxa do rotativo para quem pagou o mínimo caiu de 223,8% para 221,4% ao ano, e, para quem não pagou nem o mínimo, subiu de 504% para 506,1% ao ano.

A taxa de juros do rotativo é cobrada quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão e empurra a dívida para frente. 

Veja como ficaram os juros em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Banco Central:

Rotativo do cartão de crédito

  • Para quem pagou o valor mínimo da fatura: 221,4% ao ano
  • queda de 2,4 pontos na comparação com julho (223,8%);
  • queda de 225,1 pontos em relação a agosto de 2016 (446,5%).
     
  • Para quem não pagou nem o valor mínimo da fatura: 506,1% ao ano
  • queda de 2,1 pontos na comparação com julho (504%);
  • queda de 8,8 pontos em relação a agosto de 2016 (514,9%).
     
  • Média (considera as duas opções acima): 397,4% ao ano
  • queda de 1,6 pontos na comparação com julho (399%);
  • queda de 85,3 pontos em relação a agosto de 2016 (482,7%).
     
  • Parcelamento da fatura do cartão de crédito: 161% ao ano
  • alta de 1,3 ponto na comparação com julho (159,7%);
  • alta de 8,8 pontos em relação a agosto de 2016 (152,2%).

Novas regras do cartão de crédito

Desde 3 de abril, o consumidor só pode usar o rotativo do cartão por, no máximo, 30 dias. Após esse período, o banco deve apresentar uma proposta mais vantajosa para o cliente, como o crédito parcelado, no qual você define o número de prestações na hora da aquisição. Nesse caso, os juros são mais baixos que no rotativo, mas ainda assim altos.

Antes, se o consumidor não pagava o valor total da fatura do cartão de crédito, a dívida era jogada para o mês seguinte, por meio do chamado crédito rotativo. Isso acontecia mês a mês, sucessivamente, com a cobrança de juros sobre juros, transformando a dívida numa bola de neve.

Esses são números médios e podem variar para cada situação específica, porque os bancos oferecem taxas diferentes de acordo com o plano contratado pelo cliente e a relação entre eles (quem tem mais dinheiro no banco paga menos taxas).

Confira a variação das modalidades de crédito:

  • Rotativo do cartão de crédito: de 399% ao ano em julho para 397,4% ao ano em agosto;
  • Cartão de crédito parcelado: de 159,7% ao ano em julho para 161% ao ano em agosto;
  • Cheque especial: de 321,3% ao ano em julho para 317,3% ao ano em agosto;
  • Crédito pessoal não-consignado: de 133,2% ao ano em julho para 130,4% ao ano em agosto;
  • Crédito pessoal consignado: de 27,4% ao ano em julho para 27,2% ao ano em agosto;
  • Compra de veículos: de 23,8% ao ano em julho para 23,2% ao ano em agosto;
  • Financiamento imobiliário: de 9,2% ao ano em julho para 8,5% ao ano em agosto.

Taxa básica de juros

No mês passado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC decidiu cortar novamente a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual, de 9,25% para 8,25% ao ano, na oitava baixa seguida. É o menor nível em mais de quatro anos.

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

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