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A inflação na sua casa não caiu? Entenda por que ela é diferente da oficial

Do UOL, em São Paulo

10/01/2018 13h41Atualizada em 10/01/2018 14h10

A inflação oficial no país em 2017 foi de 2,95%, o menor valor desde 1998, mas muita gente deve estar pensando: como assim? Se o gás de cozinha e a gasolina não pararam de subir, as compras no supermercado não ficaram mais baratas, e o salário cada vez menos dá conta de todas as despesas da família?

Isso acontece porque a inflação que as pessoas sentem no bolso normalmente é bem maior que o índice oficial. Isso é normal e não quer dizer que o dado oficial seja fraudado.

Gás e gasolina subiram, mas alimentos caíram

No caso específico da inflação de 2017, realmente o gás de cozinha subiu bastante: 16%. A gasolina idem: 10,32%. Sem falar na conta de luz (10,35%), na conta de água e esgoto (10,52%), no plano de saúde (13,53%), na creche das crianças (13,23%)...

Por outro lado, os alimentos em geral ficaram mais baratos (-1,87%), graças à boa safra que tivemos. É a primeira vez que isso acontece desde que o Brasil adotou o Plano Real. As frutas, que haviam subido 22,67% em 2016, recuaram 16,52% no ano passado. O mesmo aconteceu com o açúcar cristal (alta de 25,3% em 2016 e queda de 22,32% em 2017).

E o feijão feijão carioca, que já foi um vilão dos preços? Ficou 46,06%, mais barato em 2017, após subir 46,39% em 2016. 

Conta inclui centenas de produtos

Os índices de inflação são usados para medir a variação dos preços e o impacto no custo de vida da população.

O índice geral é calculado com base no preço de centenas de produtos (tão amplo que inclui de tomate e sabonete até celular, por exemplo). Esse grupo de produtos varia conforme o índice usado (IPCA, INPC, IGP-M). No caso da inflação "oficial", o índice usado é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que inclui mais de 400 itens.

Cada item dessa lista tem um peso relativo no índice geral. Se o preço do tomate sobe 50%, o consumidor paga isso, mas a inflação geral não será de 50%, porque o tomate tem uma certa influência na cesta, mas existem muitos outros produtos a serem considerados nessa conta.

É uma combinação disso que faz chegar ao índice final. Cada pessoa consome uma quantidade, um tipo e uma marca diferente de cada produto. Por isso, o cálculo é complexo.

Diferentes índices de inflação

Esses produtos e seu peso também variam conforme a faixa de renda da população. Por isso, existem diferentes índices de inflação.

O mais citado é o IPCA, usado como "oficial" pelo governo. Quando se fala que a meta da inflação está sendo cumprida ou estourou é a esse índice que se refere. 

Mas há muitos outros, como INPC, IPC-Fipe, IPC-S e IGP-M.

Cada índice tem uma metodologia diferente, e a medição é feita por diversos órgãos especializados, como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a FGV e a Fipe.

Entre as diferenças de método, estão os dias em que os índices são apurados, os produtos que incluem, o peso deles na composição geral e a faixa de população estudada.

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