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Burger King faz comercial contra voto em branco: 'Queremos causar reflexão'

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/10/2018 16h43

O que sanduíche tem a ver com eleições? Uma propaganda da rede de fast food Burger King, exibida nacionalmente neste domingo (30), no intervalo do debate presidencial da Rede Record, faz campanha contra o voto em branco.

No comercial, pessoas que declararam que pretendem votar em branco ganham um lanche grátis. Ao comerem o sanduíche, notam que só está recheado com maionese e cebola. "Tá muito ruim", afirma uma das participantes, depois de cuspir o lanche.

Assista ao comercial do BK contra o voto em branco

UOL Notícias

"Este é o Whopper em branco, um sanduíche com ingredientes escolhidos por outra pessoa e, quando alguém escolhe no seu lugar, não dá para reclamar do resultado", diz o texto na embalagem, lido por outra participante.

A propaganda chama atenção por seu cunho político, posicionamento incomum para marcas no Brasil, em especial de redes internacionais, como é o caso da hamburgueria norte-americana.

Ao UOL, o Burger King afirmou que a intenção do comercial é "provocar uma reflexão sobre o direito de voto" e "mostrar como a decisão individual pode afetar o coletivo".

"O objetivo é incentivar o exercício democrático e garantir que seja praticado com consciência e responsabilidade", afirmou Ariel Grunkraut, diretor de Marketing e Vendas da empresa no Brasil. "Acreditamos que o voto é uma escolha individual e um direito de cada cidadão exercer da maneira que achar mais adequada."

Segundo o executivo, posicionar-se é uma das marcas da lanchonete em suas filiais ao redor do mundo. Logo, a decisão de conscientizar contra o voto em branco não foge do seu "modus operandi".

"Somos uma rede de fast food profundamente inserida nos países onde atuamos e estamos atentos ao papel de promoção das responsabilidades sociais", disse Grunkraut.

Incomum para marcas, comum com empresários

Se a estratégia de se posicionar politicamente não é tão comum entre empresas no Brasil, o mesmo não pode se dizer dos empresários. Desde o início da campanha eleitoral, não tem sido raro donos de grandes empresas declararem seu voto, seja em suas redes sociais (ou das empresas) ou em entrevistas na imprensa.

Em agosto, Sebastião Bonfim Filho, dono da rede de lojas Centauro, declarou voto para presidente em Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com o empresário, o candidato é a chance de "romper com o modelo que está aí".

Luciano Hang, dono das lojas de departamento Havan, também é um dos entusiastas do capitão reformado do Exército. O catarinense já expressou seu apoio publicamente em diversas ocasiões, inclusive no site oficial da marca, visitou o candidato internado no hospital Albert Einstein em setembro e chegou até a ser multado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em R$ 10 mil por impulsionar um vídeo de campanha.

O apoio do empresário catarinense ganhou ainda mais repercussão depois que Cabo Daciolo (Patriota) publicou um vídeo na frente de uma loja Havan dizendo que iria derrubar as réplicas da Estátua da Liberdade no Brasil. "Foi a melhor propaganda que ele poderia ter feito para mim", afirmou o empresário, em entrevista à "Folha" no último domingo (30).

Victor Vicenzza, dono da grife de sapatos que leva seu nome, também usou as redes oficiais da marca para declarar voto. "Acredito que Bolsonaro é o único candidato apropriado para liderar esta nação", escreveu o empresário na conta do Instagram. Depois da declaração, no final de agosto, os artistas Pabllo Vittar e Ludmilla romperam contrato com a marca.

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