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Agronegócio

Safra de figo em SP atrasa, mas produtores esperam aumentar exportação

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Imagem: Thinstock

Eliane Silva

Colaboração para o UOL, de Ribeirão Preto

28/01/2019 04h00

Grandes produtores de figo de Valinhos (SP), considerada a capital nacional do figo roxo, projetam aumento de exportações nesta safra, apesar do atraso no início da colheita devido a um inverno mais rigoroso em 2018. São Paulo é o maior produtor nacional de figo de mesa, enquanto o Rio Grande do Sul lidera na produção da fruta para a indústria.

Rodrigo Fabiano, maior produtor de Valinhos, com 230 mil plantas que rendem quase 2 mil toneladas de figo por ano, diz que o atraso de um mês não prejudicou a qualidade ou a produtividade, mas afetou as exportações de novembro e dezembro.

Apesar disso, ele projeta um crescimento de 5% em suas exportações para Europa, Ásia e Canadá. Na última safra, 40% das frutas colhidas nas 14 propriedades da família foram para o exterior.

"O mercado interno pode absorver toda a fruta, mas em geral paga bem menos que os compradores do exterior", explica Fabiano. Seu avô italiano foi um dos pioneiros do figo em Valinhos.

Exterior exige produção quase orgânica

Mateus Lacarini, também da terceira geração do figo, com 60 mil pés produzindo 500 toneladas em dez propriedades, é outro que aposta na exportação. A família exportou 120 toneladas para Holanda, Alemanha, França e Canadá na safra anterior. O plano nesta safra é elevar a exportação para pelo menos 160 toneladas, um aumento de 33%.

Segundo Mateus, diminuiu pela metade o número de produtores na cidade devido à especulação imobiliária. Além disso, a safra caiu em 2015 e 2016 por causa da proibição de uso do fungicida calda bordalesa. "Tivemos que nos adaptar às exigências do exterior e tirar o sulfato de cobre. Hoje, a nossa produção é quase orgânica."

Para Pedro Pellegrini, presidente da Associação Agrícola de Valinhos e Região, a falta da fruta em novembro e dezembro, meses em que 100% da produção iria para o mercado externo, pode causar uma pequena queda nas exportações, que ficaram em 35% na última safra. "É cedo para medir o impacto. O bom é que não está chovendo em janeiro, o que preserva a fruta", diz Pellegrini, que trocou o cultivo de figo pelo de goiabas em seu sítio de 2,4 ha.

Condomínios tomaram lugar de áreas rurais

"Muitas áreas rurais se tornaram condomínios e perdemos terras também para a construção do anel viário, mas, em compensação, os grandes produtores aumentaram o plantio", afirma Pellegrini

José Henrique Conti, chefe da Casa da Agricultura em Valinhos, diz que a cidade tem hoje 64 propriedades com figos. A produção anual atinge 2,253 milhões de caixas ou 3.600 toneladas. Nesta safra, ele projeta uma queda de produção de 3% a 5% devido ao problema climático.

Além da especulação imobiliária, que tornou a terra cara em Valinhos, o agrônomo diz que a cultura do figo tem como desafios os gargalos de comercialização para venda direta e a necessidade de marketing para elevar o consumo. Além disso, precisa se adequar às normas do mercado externo e interno.

Até o próximo domingo (3), Valinhos realiza a 70ª Festa do Figo e a 25ª Expoagoiaba. A previsão é vender 250 toneladas de frutas no evento, superando as 220 toneladas de 2018. A festa inclui exposição e concurso, além de turismo rural em propriedades produtoras de figo e goiaba.
 

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