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Brasil exporta até pênis de boi e farinha de sangue, penas e ossos

Theo Marques/Folhapress
Imagem: Theo Marques/Folhapress

Claudia Varella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/01/2019 04h00

Já pensou em comer pênis de boi? Pois a carne é iguaria em Hong Kong, e o Brasil exporta o produto para lá. De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), 95% da exportação de "despojos não comestíveis de bovinos" (como são classificados pênis, tendões e artérias) vai para Hong Kong. O Brasil também exporta farinha feita de penas, sangue e ossos, para fabricação de ração de animais.

No ano passado, apenas o setor de despojos movimentou cerca de US$ 400 milhões com 150 mil toneladas exportadas. Em 2018, as exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde: 1,64 milhão de toneladas (11% a mais que em 2017). 

"Do boi, tudo se aproveita. Mas existem certos subprodutos que não têm consumo doméstico no Brasil, por força de cultura de não consumi-los. Mas os chineses comem e apreciam", afirmou Péricles Salazar, 70, presidente da Abrafrigo, que representa os exportadores deste tipo de produto.

Pênis bovino é consumido na China como ingrediente de sopas - Anja Barte Telin/Divulgação
Pênis bovino é consumido na China como ingrediente de sopas
Imagem: Anja Barte Telin/Divulgação

"Os chineses colocaram tudo dentro da panela junto com os temperos e caldos, e aquilo vira uma espécie de sopão", disse Salazar. O pênis bovino seria afrodisíaco.

Exportação de farinha de sangue, penas e ossos

Outro produto que o Brasil exporta são farinhas de origem animal, que são feitas de partes não comestíveis do abate, como penas, ossos, sangue e vísceras. 

Os produtos (farinhas de sangue, de carne e ossos bovinos, de carne e ossos suínos, de vísceras de aves, de penas hidrolisadas e de peixes) são usados na fabricação de rações para pets e outros animais, como aves, suínos, peixes e crustáceos. 

De acordo com a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), o setor exportou 180,7 mil toneladas de farinhas de origem animal e movimentou US$ 92,8 milhões no mercado internacional em 2018. A previsão é um crescimento de 25% nas exportações neste ano. Os principais mercados são Chile (31,9%) e Vietnã (21,6%).

Produtor brasileiro descobriu nicho de mercado

O presidente da Abrafrigo disse que, até o final da década de 1990, o produtor brasileiro descartava esses subprodutos do boi ou os transformava em farinha para alimentar os animais.

"Algumas empresas surgiram e começaram a aproveitar esses despojos. O feeling do produtor brasileiro descobriu esse nicho do mercado", afirmou. O comércio internacional dos despojos começou a ser regulamentado pelo Ministério da Agricultura em 2004.

"A exportação também resolveu um problema sanitário e ambiental porque estes despojos antigamente poderiam ser descartados no meio ambiente ou incinerados por pequenos frigoríficos já que não existia mercado", declarou.

Exportações de carne bovina bateram recorde em 2018

Band News

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