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Consultoria diz faltarem leis e ambiente político a mercado digital no país

Fabrizio Bensch/Reuters
Imagem: Fabrizio Bensch/Reuters

Christianne González

Do UOL, em Mountain View (Califórnia)

2019-04-08T23:07:29

08/04/2019 23h07

"O brasileiro está preparado para a revolução digital, mas faltam leis que funcionem, ambiente político que dê segurança ao investidor e logística". Com essa declaração, Nicola Calicchio, sócio-executivo da empresa norte-americana McKinsey & Company, apresentou o primeiro relatório internacional sobre o ambiente digital brasileiro.

McKinsey é uma das consultorias de estratégia de negócio mais prestigiadas do mundo.

O 1º "Brazil Digital Report" foi divulgado hoje durante o evento Brazil at Silicon Valley, em Mountain View, Califórnia (EUA), para cerca de 700 investidores, empresários, executivos internacionais, estudantes e ex-alunos da Universidade Stanford, organizadores do evento.

Com 191 páginas, o documento mapeou o ambiente digital do país baseado em pesquisas de dados e de mercado. Nicola Calicchio citou como indicativo de que o brasileiro está preparado para uma revolução digital o engajamento da base de usuários às plataformas das gigantes Google e Facebook e a explosão das empresas do tipo Fintech no país. "Ter a segunda ou terceira base de usuários do mundo tem um enorme valor", disse.

O relatório

O baixo nível de investimento e a dificuldade em abrir e fechar empresas são pontos que pesam negativamente para o avanço dos negócios digitais no Brasil, segundo o documento.

De acordo com o relatório, nos EUA, o investimento é cem vezes maior do que o do Brasil. "A logística de entrega e a baixa velocidade de transmissão de dados via internet são dois dos desafios estruturais que o país precisa vencer para atrair investidores."

Jordan Lombardi, outro sócio da McKinsey, disse que o objetivo do relatório é criar transparência para ajudar o investidor na tomada de decisão. Ele ressaltou, por exemplo, que o investimento em educação no Brasil não está se refletindo em resultados. Para ele, o foco no país é a abertura de escolas, e não o aprendizado. "Nos últimos 20 anos, o país não investiu em ensino básico nem em aprendizagem", disse.

O apresentador Luciano Huck defendeu que a sociedade civil brasileira se organize para fazer o país avançar. "Não existe poção mágica. São construções. O Brazil at Silicon Valley é a materialização disso."

Os bilionários Jorge Paulo Lemann, brasileiro sócio do 3G Capital e um dos donos da Ambev, e o norte-americano Scott Cook, membro do grupo diretor da Procter & Gamble e conselheiro da escola de negócios de Harvard, abriram o evento com uma conferência sobre inovação e experimento em grandes organizações.

Entre os 63 palestrantes, além de Huck, estão o vice-presidente de realidade virtual do Facebook, Hugo Barra, o CEO do SoftBank, Marcelo Claure, o fundador do Renova Brasil, Eduardo Mufarej, e a ex-ministra da Educação de Israel Yuli Tamir.

Nenhum representante do governo federal integra a lista de conferencistas, que inclui o atual governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou ao UOL que não enviou nenhum representante para esse evento.

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