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Entenda polêmica entre chefe de agência e secretário especial de Bolsonaro

Carlos da Costa (à esq.), secretário especial de Produtividade e Emprego, e Luiz Augusto Ferreira, presidente da ABDI - Arte/UOL
Carlos da Costa (à esq.), secretário especial de Produtividade e Emprego, e Luiz Augusto Ferreira, presidente da ABDI Imagem: Arte/UOL

Do UOL, em São Paulo

03/09/2019 15h59Atualizada em 13/12/2019 12h08

Chefes de duas instituições ligadas ao Ministério da Economia trocaram acusações nos últimos dias, levando até a uma resposta pública do presidente Jair Bolsonaro. "Um dos dois, ou os dois perderão a cabeça", afirmou Bolsonaro sobre Luiz Augusto Ferreira, presidente da ABDI, e Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade e Emprego.

Entenda quem são os envolvidos e como a crise, que começou em São Paulo, chegou até Brasília.

Ambos atuam na ABDI

A ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) é um serviço social autônomo com a finalidade de promover políticas industriais, especialmente aquelas voltadas à geração de empregos no setor. Foi criada por lei em 2004 e, atualmente, está vinculada ao Ministério da Economia, dirigido por Paulo Guedes.

O presidente da diretoria executiva da ABDI é Luiz Augusto Ferreira, mas a agência tem também um conselho deliberativo, presidido por Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade e Emprego (também vinculado ao Ministério da Economia).

Costa demitiu Ferreira, que não acatou

Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade e Emprego e presidente do conselho deliberativo da ABDI, chegou a anunciar a demissão de Luiz Augusto Ferreira. Ferreira não acatou a decisão e disse que só o presidente da República pode demitir a diretoria da ABDI.

Ferreira fez acusações conta Costa

Ferreira veio a público fazer acusações contra Carlos da Costa. Em entrevista à revista Veja, declarou que o secretário não poderia estar no cargo por ter duas empresas com condenações extrajudiciais. Também disse que da Costa não tem o doutorado que registrou no currículo e que está usando verbas públicas para pagar passagens aéreas.

Crise envolveria aluguel de sala na av. Paulista

De acordo com Ferreira, a tensão entre os dois aumentou depois que ele negou "pedidos não republicanos" feitos por da Costa. O primeiro desses pedidos estaria relacionado ao aluguel de uma uma sala comercial em São Paulo.

Segundo Ferreira, da Costa pediu para que a ABDI alugasse metade do andar de um prédio do Banco do Brasil na Avenida Paulista, em São Paulo. O espaço custaria R$ 500 mil por ano e seria usado tanto pela ABDI quando pela secretaria comandada por da Costa.

Ferreira disse ter-se negado a realizar o negócio porque a ABDI já ocupa um escritório na mesma avenida, cedido sem custos pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e que não haveria como justificar o gasto extra.

Depois da negativa de Ferreira, da Costa teria negociado diretamente com o Banco do Brasil o aluguel de uma sala paga pela ABDI, com o objetivo de garantir um espaço para a secretaria em São Paulo.

Costa promete ação contra Ferreira

Nesta segunda-feira (2), o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, disse que Carlos da Costa está preparando uma ação judicial contra Ferreira.

Bolsonaro diz que ao menos um deve cair

Nesta segunda-feira (2), Bolsonaro pediu uma apuração sobre as declarações de Ferreira e afirmou que ao menos um dos envolvidos deverá ser demitido. "Um dos dois, ou os dois perderão a cabeça", afirmou o presidente, em entrevista na saída do Palácio da Alvorada.

Segundo o "Estadão Conteúdo", um processo para a exoneração de Ferreira na área técnica já teria sido iniciado, mas ainda não chegou ao presidente da República. Indicado ao cargo ainda no governo do ex-presidente Michel Temer, em 2017, Ferreira disse não ter recebido nenhuma informação de que o governo estuda exonerá-lo.

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