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Órgão quer fim de sistema de milhas para reduzir emissão de carbono em voos

Relatório sugere fim de programa de milhas para combater emissão de carbono - Manop1984/Getty Images/iStockphoto
Relatório sugere fim de programa de milhas para combater emissão de carbono Imagem: Manop1984/Getty Images/iStockphoto

Do UOL, em São Paulo

14/10/2019 15h07

O Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido (CCC, na sigla em inglês) recomendou que os programas de milhas aéreas sejam extintos a fim de reduzir as emissões de carbono causadas pela aviação. Outra medida sugerida pelo órgão seria passar a cobrar uma taxa de passageiros frequentes.

As duas medidas fazem parte das recomendações feitas a partir de uma pesquisa realizada pelo CCC, que indica as medidas como importantes no plano do Reino Unido de atingir suas metas de redução de emissão de carbono até 2050.

Em um relatório anterior, o CCC disse que o Reino Unido precisava tornar neutras as emissões de carbono até 2050 para cumprir suas obrigações estabelecidas pelo Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. O Reino Unido se tornou a primeira grande economia a se comprometer legalmente com a meta.

Ainda de acordo com a pesquisa, os programas de milhas aéreas incentivam as pessoas a fazerem voos extras para manter seu "status de viajante privilegiado". Por isso, a prática deveria ser extinta.

O levantamento destaca que as chamadas "corridas de milhagem" são uma maneira comum de os viajantes aumentarem seus pontos, a fim de manter o acesso a regalias, como embarque prioritário.

Ao explicar a ideia de impor uma espécie de taxas para os viajantes, o CCC explica que a medida seria baseada no número de milhas voadas por cada passageiro, penalizando aqueles que mais voam, evitando penalidades para pessoas que viajam com menos frequência.

Pesquisas feitas no Reino Unido mostram que 15% da população faz 70% dos voos, e esses viajantes - que tendem a ser mais ricos e menos sensíveis ao preço - pagariam a maior parte das taxas. Ainda segundo o levantamento, 50% dos britânicos não voam nenhuma vez no ano.

Ainda de acordo com o relatório do CCC, a implantação de uma taxa encorajaria a adoção de voos de curta distância, em vez de voos mais longos e prejudiciais, além de incentivar as pessoas a realizarem mais viagens de trem. O dinheiro arrecadado com a taxa poderia ser usado para financiar pesquisas sobre tecnologias para aviação com baixa emissão de carbono.

Enquanto o relatório pressiona o governo a adotar políticas para combater as emissões de carbono, companhias privadas já possuem iniciativas nesse sentido.

Na semana passada, o International Airlines Group (IAG) - que inclui British Airways, Aer Lingus e Iberia - prometeu remover ou compensar todas as emissões de carbono de sua frota de mais de 570 aeronaves até 2050.

O grupo ainda prometeu substituir aeronaves mais antigas, investir em combustível sustentável e desenvolver uma tecnologia que remova o CO2 da atmosfera.

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