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Os juros baixos vão deixar sua previdência privada uma miséria?

João José Oliveira

UOL, em São Paulo

04/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Juros baixos podem reduzir a correção do benefício de previdência privada de quem já é aposentado?
  • Ou só é afetado quem ainda está juntando dinheiro em sua previdência particular?
  • As empresas do setor correm risco de quebrar por causa dos ganhos menores?

Você que já se aposentou com um plano de previdência privada ou está pagando a sua deve se perguntar se os juros baixos vão deixá-lo sem dinheiro daqui a dez ou 20 anos.

A correção de sua aposentadoria será afetada? Quem já é aposentado e recebe uma previdência privada vai ser prejudicado de alguma forma? Veja mais abaixo o que dizem especialistas.

Juros baixos não diminuem a correção dos aposentados

Em resumo, a situação é a seguinte:

  • Quem já se aposentou e recebe os benefícios não será prejudicado. O que foi combinado será pago
  • Os juros baixos não interferem na correção do dinheiro, porque isso é feito com um indicador de inflação registrado no contrato
  • As empresas do setor não correm risco de quebrar por causa disso
  • Quem ainda está longe da aposentadoria terá receita menor no futuro
  • Para corrigir isso, será preciso buscar uma aplicação mais arriscada ou investir mais por mês

"Para as pessoas que já estão em gozo dos benefícios, a queda dos juros não tem nenhum impacto", afirmou o superintendente comercial da Brasilprev, Mauro Guadagnoli de Souza. Segundo ele, isso quer dizer que não muda o bolo de dinheiro acumulado por uma pessoa que já começou a receber a aposentadoria.

De acordo com Guadagnoli, os juros baixos não afetam essas aplicações porque, quando os contratos foram fechados, os investimentos foram feitos em títulos que existiam na época capazes de garantir a rentabilidade prometida.

Por esse mesmo motivo, as empresas que pagam os benefícios estão seguras, dizem profissionais do setor. Os investimentos feitos já estão nas carteiras e garantindo os pagamentos, inclusive respeitando as condições de correção —que pode ser um índice de inflação ou um indexador de juros—, segundo o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Jorge Nasser.

E para quem está longe da aposentadoria?

Para quem ainda está no meio das contribuições, ou seja, ainda não começou a receber os benefícios, a queda dos juros na economia brasileira agora vai ter impacto no futuro. Isso não quer dizer que o poupador deixará de receber seus pagamentos mensais após se aposentar. Mas a forma de juntar dinheiro vai ter que mudar, ou o cliente terá que se contentar com uma renda mensal menor.

"A redução dos juros vai alterar a rentabilidade principalmente dos fundos mais conservadores. Então, o consumidor deve mudar o perfil de risco e ter uma rentabilidade maior", disse o estrategista da plataforma RB Investimentos Daniel Linger.

O juro básico no país caiu de 14,25%, em agosto de 2016, para 5% agora, após o último encontro do Comitê de Política Monetária do Banco Central. E vai continuar recuando, uma vez que os agentes de mercado trabalham com a possibilidade de a Selic recuar para 4% ano que vem.

"Quem fez um plano de Previdência anos atrás pensando em um valor para receber após a aposentadoria pode receber menos que o planejado porque os juros mudaram", afirmou Linger.

Simulação de rendimento

Linger fez uma simulação: quem aplica R$ 300 todos os meses durante 30 anos, com juros médios de 8% ano, teria uma renda mensal vitalícia de R$ 3.600. Agora, com os juros médios na casa de 4%, não vai conseguir mais que R$ 1.500 ao mês.

Para melhorar, terá de analisar o desempenho do fundo que ele comprou. Além de comparar a rentabilidade bruta com outras opções de mercado, ele deve checar custos, como taxa de carregamento e taxa de administração. Se for o caso, fazer a portabilidade e mudar de banco.

Queda de rendimento não afeta segurança

A previdência privada não corre risco de quebrar por menos rendimentos, dizem os especialistas

"É um mercado extremamente regulado e seguro para o investidor", disse Nasser, presidente da FenaPrevi.

O sistema cumpre regras, como a exigência de reservas técnicas, afirmam profissionais da área.

O superintendente comercial da Brasilprev, Mauro Guadagnoli de Souza, afirma que os planos de previdência aberta são monitorados pela Susep e têm que ter reservas para garantir o pagamento das aposentadorias.

O gestor de previdência da Porto Seguro Investimentos, Humberto Vignatti, destaca que os juros menores são indicadores de uma economia mais sólida e equilibrada.

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