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Déficit primário será de quase 10% do PIB neste ano, prevê secretário

8.abr.2020 - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, em coletiva de imprensa sobre o saque emergencial do FGTS - Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
8.abr.2020 - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, em coletiva de imprensa sobre o saque emergencial do FGTS Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 14h47Atualizada em 28/05/2020 14h56

As medidas de combate ao novo coronavírus somam R$ 417,7 bilhões, dos quais R$ 399,5 bilhões de despesas adicionais e R$ 18,2 bilhões resultantes da redução de receitas. Com isso, o Brasil fechará o ano com um déficit primário —que exclui os gastos com o pagamento dos juros da dívida— de quase 10% do PIB (Produto Interno Bruto).

A previsão foi divulgada a senadores e deputados pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, que participou hoje de uma audiência da comissão mista destinada a acompanhar a atuação do governo durante a pandemia de covid-19.

O déficit primário do governo central está estimado em R$ 675,7 bilhões, ou seja, 9,4% do PIB. Já o déficit de todo o setor público, incluindo estatais, estados e municípios, chegará a R$ 708,7 bilhões (9,9% do PIB). Os números estão bem acima da média registrada nos demais países emergentes: 5,8% do PIB nacional.

"Não é corrida para ver quem gasta mais, é uma corrida por efetividade. Nossa preocupação primeira é com a saúde e o com o combate ao vírus, cuidando dos mais vulneráveis, mesmo que isso mude temporariamente o perfil das contas públicas do Brasil. Nossa política fiscal não pode comprometer o enfrentamento à doença", justificou o secretário.

A média das nações desenvolvidas é de 4,5%; nos países em desenvolvimento, o índice é de 3%.

Segundo Rodrigues Júnior, ao mesmo tempo em que o governo combate o vírus, o Ministério da Economia já está pensando em soluções futuras para o período pós-pandemia. E as ações terão que ser tomadas com a ajuda do Congresso Nacional.

"Essa é uma batalha longa, árdua e tem que ser feita com diálogo, olhando não só a curto prazo, mas vendo uma forma de sair com o menor número de pessoas mortas, com a menor perda de empregos possível e com capacidade fiscal mínima para permitir políticas socioeconômicas consistentes", afirmou.

Transparência

O secretário do Tesouro destacou ainda a transparência com que o governo tem lidado com os gastos no combate à pandemia. Segundo ele, os sites da Secretaria de Orçamento Federal e do Tesouro Nacional mantêm dados atualizados diariamente, permitindo que órgãos de controle, parlamentares e toda a sociedade tenham acesso aos números.

"O cidadão precisa saber para onde está indo esse dinheiro, como ele é aplicado, para qual programa, para qual ação, para qual ministério. E nós estamos fazendo essa transparência com a máxima diligência e no tempo correto, o que coloca o Brasil em uma situação de comparação internacional muito favorável", avaliou.

*Com Agência Senado

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