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Estudante relata 10h na fila do Caixa Tem e teme não poder pagar faculdade

Adriana Toffetti/A7 Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Adriana Toffetti/A7 Press/Estadão Conteúdo

Douglas Porto

Do UOL, em São Paulo

21/07/2020 04h00

A estudante de psicologia Victória Cristina da Silva, 23, moradora da zona sul de São Paulo, trabalha como autônoma e o início da pandemia provocou queda em sua renda. O auxílio emergencial surgiu como uma possibilidade de continuar pagando a faculdade. Porém, enfrentou problemas desde o princípio com o benefício.

Quando feito o anúncio da distribuição dos R$ 600 para trabalhadores informais pelo governo federal, Victória logo fez seu cadastro. Mas, com o passar das semanas, sua situação não saía do modo "em análise", e se viu entre as 12 milhões de pessoas que tiveram de refazer o cadastramento.

Depois, com os dados certos e a situação aprovada, a primeira movimentação no pagamento foi realizada em 25 de maio. Durante a transferência, não houve nenhum problema, e ela conseguiu passar o valor da conta da Caixa para outro banco.

Módulo 1  - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Victória Cristina da Silva, estudante de Psicologia
Imagem: Arquivo Pessoal

A segunda parcela ficou disponível no dia 2 de julho, porém, com muitos percalços. A cliente tentava acessar o aplicativo às 10h e só conseguia entrar às 20h. E quando fazia o acesso, não era mostrado o saldo ou a opção para fazer transferências.

Somente uma semana após a liberação do dinheiro, Victória conseguiu realizar o pagamento do boleto, passando o valor de uma conta para outra.

Agora, os impasses persistem. Com a terceira parcela programada apenas para setembro, o medo de não conseguir quitar os débitos estudantis, persegue a futura psicóloga, que tem bolsa parcial na Unip (Universidade Paulista).

Segundo levantamento do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo), 265 mil estudantes já abandonaram ou trancaram o curso superior. Ainda de acordo com a entidade, 11,3% dos alunos devem terminar o ano inadimplentes, com ao menos uma mensalidade atrasada.

Leia o relato da estudante a seguir:

Problemas no primeiro cadastro

Quando me inscrevi no auxílio emergencial foi fácil, não tive dificuldades, as orientações foram bem explicativas. Os problemas começaram após algumas semanas, onde tive que realizar meu cadastro novamente.

Quando fiz pela primeira vez, esperei um tempo e estava lá como: "cadastro em análise". Isso foi um pouco estranho, porque achei que não precisasse realizar novamente.

Saiu no noticiário que alguns beneficiários precisariam fazer de novo, e isso atingiu a mim e a algumas pessoas que conheço.

Dificuldades no pagamento e no Caixa Tem

Tive muita dificuldade com a primeira parcela, pois saiu muito depois. Pelo calendário deles, era atualizado de acordo com o mês de nascimento. Por exemplo, nasci em 4 de julho, e aparecia que estaria disponível no fim de março. Eu só fui aprovada depois dessa data, conseguindo fazer a transferência apenas em maio.

A segunda parcela foi disponibilizada em 2 de julho, e a dificuldade aumentou: não conseguia pagar contas pelo Caixa Tem. Tentei transferir para outra conta e aparecia que o saque e transferência só estariam disponíveis em 1º de setembro, sendo que precisava do dinheiro para esse mês.

Eu tentava acessar o aplicativo e ficava horas na fila. Entrava às 10h e só era atendida às 20h. E quando finalmente consegui o acesso, ele não me permitia ver a disponibilidade do meu saldo e não era permitido fazer transferências. Apenas uma semana depois, no dia 9 de julho, consegui.

Continuidade dos estudos

Foram meses muito complicados, pois precisava pagar o boleto da faculdade. Esse dinheiro me ajuda a manter em dia as finanças dos meus estudos.

No começo da pandemia, trabalhava como autônoma e vi queda na minha renda. O anúncio do auxílio foi uma garantia para mim.

Agora, a terceira parcela será paga apenas em setembro, e ficarei um mês sem o benefício.

O que diz a Caixa

Procurada pelo UOL, a Caixa informou que o aplicativo Caixa Tem apresentou intermitência atípica no dia 9 de julho, data em que a beneficiária recebeu a segunda parcela, devido ao grande volume de acessos concorrendo com o processamento mensal de início de mês.

Depois dessa data, o aplicativo ficou estável e sempre com espera virtual inferior a 5 minutos, mesmo nos horários de maior concentração, afirma a Caixa.