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Embaixador dos EUA diz que Brasil terá 'consequências' com Huawei no 5G

Todd Chapman disse que empresas baseadas na propriedade intelectual podem evitar o Brasil - NurPhoto via Getty Images
Todd Chapman disse que empresas baseadas na propriedade intelectual podem evitar o Brasil Imagem: NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

29/07/2020 08h50

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, acredita que o país terá "consequências" econômicas negativas caso decida manter a Huawei no leilão do 5G, que deve acontecer no ano que vem. Para o diplomata, a presença da gigante chinesa de telecomunicações deve fazer com que empresas "baseadas na propriedade intelectual" evitem investir no Brasil.

"Cada país é responsável por suas decisões. As consequências que estamos vendo no mundo é que há um receio de empresas que estão baseadas na propriedade intelectual de fazer investimentos em países onde essa propriedade intelectual não seja protegida", afirmou Chapman em entrevista ao jornal Globo.

"Eu diria que represálias não, consequências sim", disse o embaixador ao ser questionado sobre possíveis retaliações internacionais.

"Muitos países já decidiram excluir a Huawei por questão de segurança, como Austrália, Japão e Inglaterra, por exemplo. E esse número é crescente porque mais pessoas estão fazendo a mesma análise, vendo o comportamento da Huawei de roubar propriedade intelectual. A Inglaterra disse que vai tirar tudo da Huawei de seu sistema nos próximos anos", lembrou Chapman.

A suspeita que recai em cima da empresa chinesa é sobre o repasse de dados de operações internacionais ao governo chinês. Os Estados Unidos têm liderado um processo de crescente desconfiança e pressionam o Brasil para banir a Huawei do leilão do 5G. No entanto, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) já adiantou que "acha difícil" banir a empresa chinesa, que já atua há anos no país na operação do 4G.

"A seleção de fornecedores do 5G não é para nós uma questão comercial. Nós (Estados Unidos) não temos uma empresa puramente americana que esteja competindo. Isso não é para ganhar US$ 1 bilhão. É um assunto de segurança nacional", explicou o embaixador.

"A informação não estará segura. A qualquer hora, o governo chinês pode pedir à Huawei que a informação seja mandada a eles", concluiu Chapman.