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Confusão entre governo e Caixa causa novas filas nas agências, diz Fenae

"Governo e direção da Caixa não sabem o que fazer", alega a entidade de funcionários do banco - César Conventi/Fotoarena/Estadão Conteúdo
"Governo e direção da Caixa não sabem o que fazer", alega a entidade de funcionários do banco Imagem: César Conventi/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

31/07/2020 15h34Atualizada em 31/07/2020 15h47

Em meio à pandemia de covid-19 e o consequente pagamento do auxílio emergencial, informações desencontradas divulgadas por órgãos do governo federal têm resultado em aglomerações e filas nas agências bancárias, segundo a Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal).

Nesta semana, por exemplo, o Dataprev informou que o cadastro de mais 800 mil beneficiários foi aprovado. Mas o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse em coletiva que os dados sobre este novo lote ainda não foram repassados ao banco pelo Ministério da Cidadania.

"Temos que receber o calendário efetivo [do ministério] e o dinheiro para realizar o pagamento. Não temos nenhum dos dois. No meio da semana que vem, nós realizaremos o pagamento", disse. "Depois, vamos realizar o pagamento no mesmo calendário dos ciclos que anunciamos para que não tenha confusão. Ou seja, vamos adequar esses 800 mil ao mesmo calendário dos demais".

De acordo com a Fenae, questões como esta, somadas a um conjunto de problemas de gestão, resultaram no retorno das filas nas agências da Caixa, expondo ainda mais ao risco de contaminação pelo novo coronavírus tanto os trabalhadores do banco quanto a população.

Além do acúmulo de benefícios atualmente distribuídos pela Caixa — auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e Bolsa Família, entre outros —, a Fenae também critica as falhas no aplicativo Caixa Tem e o recente bloqueio de mais de 3 milhões de contas digitais, que contribuíram, segundo a entidade, para os transtornos à sociedade e aos bancários.

"O próprio Pedro Guimarães anunciou que, para desbloquear a conta, é preciso ir à agência. É claro que realizar este bloqueio de milhões de contas, de forma repentina, causaria filas nas unidades", afirma o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto. "Sabendo disso, deveriam ter sido feitos uma ampla divulgação à população e um planejamento para receber essas pessoas. Apenas o calendário não resolve".

"Governo e direção da Caixa não sabem o que fazer. Tomam decisões erradas, batem cabeça. Enquanto isso, a população e os empregados pagam o preço, se expondo ao risco de contaminação pela covid-19."

Caixa está 'sozinha'

O presidente da Fenae também questiona por que o pagamento de todos os benefícios, além dos empréstimos por meio do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), está centralizado na Caixa, não sendo feito por nenhum dos outros bancos.

"A Fenae tem insistido nessa questão. A Caixa está atendendo, sozinha, mais da metade da população brasileira. Tem expertise, capilaridade e competência para a tarefa, tanto que já pagou mais de três parcelas do auxílio emergencial a mais de 65 milhões de pessoas. Mas não dá para tratar com normalidade um momento anormal. Se tem culpados nessa história, são o governo e a direção do banco", acusa Takemoto.

Para a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, o retorno das filas nas agências é uma consequência da falta de administração. Ela explica que cerca de 121 milhões de brasileiros estão passando pelo banco nesta conjuntura.

"Já havia uma aglomeração causada pelo pagamento do auxílio emergencial. Além das mais de 65 milhões de pessoas que recebem o benefício, agora tem mais 60 milhões para retirar o FGTS. Os empregados da Caixa estão exaustos, há uma pressão muito forte desde o início do pagamento do auxílio."