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Aceleração de tendências faz agências apostarem em líderes de transformação

Getty Images
Imagem: Getty Images

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/11/2020 04h01

Ampliação do e-commerce, produtos sustentáveis, marcas empáticas: a pandemia acelerou uma série de tendências que mudam o comportamento do consumidor. Por outro lado, as agências de publicidade precisam aprender a atuar com uma visão mais estratégica, orientada para os negócios dos seus clientes.

Para acelerar este processo, algumas agências têm investido na contratação de "líderes de transformação" —profissionais que já atuavam nos departamentos de inovação das empresas, mas que agora participarão efetivamente de outras áreas, de maneira mais tática.

"Desafios futuros de negócios exigem novas formas de pensar. As transformações serão cocriadas a partir de uma mentalidade coletiva. O desafio dos líderes de transformação é entrar na rotina das áreas, entender as dores de cada uma e ajudá-las nessa transição", afirma Jader Crivelaro, CTO (sigla em inglês para 'chefe de transformação') da agência TracyLocke.

"Designer de negócios" ou "professor de mindsets"

"O líder de transformação deve ser um 'designer de negócios'. Precisará ser capaz de mapear as fortalezas e capacidades da empresa para se transformar em um 'professor de novos mindsets', que desenvolva narrativas e faça as pessoas olharem para os seus problemas por outros ângulos", afirma Crivelaro.

Para Daniel Martins, que assumiu o posto na agência Ogilvy Brasil em julho, o desafio vai além de entender de novas tecnologias. "É também sobre tecnologia, mas é fundamental transitar e trabalhar com os times existentes para 'gerar a transformação', de dentro para fora", diz.

Treinamento para profissionais mais experientes

Sem uma "formação" específica para este novo cargo, a Miami Ad School, escola de criatividade e estratégia voltadas para o negócio da comunicação, que atua no Brasil desde 2002, criou um curso que promete ajudar na formação destes novos profissionais.

O "Bootcamp de Inteligência Digital", que terá 90 horas de aulas online, promete ajudar o profissional a conhecer ferramentas e metodologias para aprimorar as tomadas de decisão, além de passar uma visão mais ampliada sobre conteúdo e estratégia de canais.

"Surgiram ofertas de escolas com essa temática nos últimos anos, mas para atender a uma demanda técnica, com profissionais recém-formados. Ou seja, uma perspectiva mais tática e com pouca atratividade para profissionais mais seniores. Assim, nasceu a ideia de criar um curso para dar aos profissionais mais experientes uma visão estratégica, orientada para o digital, com o entendimento holístico do ecossistema", afirma Cleber Paradela, coordenador do curso e diretor de Brand Experience da 99.

Desafio é enxergar a "potência" das pessoas

"Esse profissional precisa ter uma experiência multidisciplinar em tecnologia e criatividade. Mas isso vai além: ele precisa enxergar a potência das pessoas, romper estruturas e cadeias de valor e alavancar novas ideias", declara Priscila Mendes, a líder de transformação da agência Grey.

Segundo Priscila, um dos maiores desafios do posto é fazer com que a agência seja criativa, mas também olhe para os negócios dos clientes de forma mais ampla. "Precisamos incubar novas ideias e educar todos os profissionais da agência a pensarem constantemente na jornada do consumidor", afirma a executiva.

"A transformação virá da abertura e disponibilidade das pessoas, para também separar um tempo no seu dia a dia e dialogar sobre novos jeitos de ver o mundo", afirma Jader, da TracyLocke.

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