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Estudo: Norte e Nordeste serão as mais prejudicadas sem auxílio emergencial

Aplicativo do auxílio emergencial -                                 MARCELO CAMARGO/AGêNCIA BRASIL
Aplicativo do auxílio emergencial Imagem: MARCELO CAMARGO/AGêNCIA BRASIL

Andréia Martins

Do UOL, em São Paulo

11/01/2021 16h02

O fim do auxílio emergencial concedido pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve prejudicar mais as economias das regiões Norte e Nordeste do país, como apontam projeções feitas pela consultoria Tendências.

De acordo com as projeções, o rendimento dos moradores da região Norte cresceu 13,1% em 2020, e deve cair 8,5% em 2021. Já a região Nordeste, onde o rendimento da população cresceu 8,3% no ano passado, deve apresentar uma queda de 8% este ano.

Ou seja, a massa de renda total do Norte deve reduzir de R$ 242,9 bilhões em 2020 para R$ 222,1 bilhões em 2021 (queda de 8,5%). No Nordeste, essa redução deve ser R$ 729,9 bilhões em 2020 para R$ 671,3 este ano. Em todo o Brasil, a renda cresceu 4,6% no ano passado e deve recuar 3,7% em 2021.

"A forte queda na renda dessas famílias é explicada pela alta informalidade, alta proporção de domicílios em extrema pobreza, maior número de empresas de menor porte, entre outros. Nessas regiões os setores mais atingidos pelo distanciamento social ocupam proporcionalmente mais pessoas do que no país todo, ou seja, já iniciaram a pandemia com mais vulnerabilidade', avalia Lucas Assis, economista da Tendências.

Além disso, essas regiões teriam uma melhora no mercado de trabalho mais lenta que as demais regiões, comprometendo a renda da população.

A massa de renda total dos domicílios é uma estimativa da consultoria que incorpora a soma do rendimento habitual de todos os trabalhos, das transferências do programa Bolsa Família, do BPC (Benefício de Prestação Continuada), dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social e de outras fontes de renda.

No ano passado, segundo as projeções da consultoria, a atividade econômica do Norte (-1,9%) e do Nordeste (-3,8%) teve uma redução menor o que a média do país (- 4,4%), acompanhadas do Centro-Oeste (-2,6%). Sudeste e Sul tiveram quedas maiores que a média nacional, com -4,5% e -6,1%, respectivamente.

Para 2021, as projeções mostram um cenário invertido. Nordeste (2,1%) e Norte (2,6%) e Centro-Oeste (2,5%) crescerão abaixo da média nacional (2,9%). Apenas a região Sul deve ter um crescimento acima do nacional, de 4,1%.

O economista espera ainda uma redução no benefício do Bolsa Família devido à reformulação do programa e um avanço limitado no número de segurados da previdência social em 2021, comparado a 2020, devido ao alto número de morte de idosos vítimas da covid-19. Mas, equilibrar os rendimentos é uma questão complicada.

"De um lado há milhões de brasileiros que precisam desse colchão social, por outro lado, a questão fiscal é insustentável. O ideal seria criar um auxílio emergencial de menor valor e mais focado nas famílias mais necessitadas. Mas o governo não deu sinalização de um novo benefício", afirma Assis.

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