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Governo terá de subir mínimo de R$ 1.100 para R$ 1.102 para repor inflação

Do UOL, em São Paulo

12/01/2021 09h14Atualizada em 12/01/2021 10h12

O governo terá que subir o salário mínimo para R$ 1.102 para cumprir a legislação e repor as perdas provocadas pela inflação em 2020.

Em 1º de janeiro, o mínimo subiu de R$ 1.045 para R$ 1.100, graças a uma Medida Provisória (MP) editada pelo presidente Jair Bolsonaro. O aumento considerou a previsão do governo para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), índice usado para calcular o reajuste, no ano passado, de 5,26%. Mas o índice oficial, divulgado nesta terça-feira (12), ficou acima disso, em 5,45%.

No início do mês, quando a MP entrou em vigor, o Ministério da Economia informou que poderia mudar de novo o valor do salário mínimo quando saísse a inflação, para assegurar a preservação do poder de compra.

Desde 2020, o salário mínimo é reajustado apenas pela inflação, para não perder valor, como determina a Constituição.

De 2007 a 2019, a lei garantia que o piso nacional tivesse aumento real, acima da inflação, sempre que houvesse crescimento econômico, dentro da política de valorização do salário mínimo das gestões petistas.

Essa fórmula de cálculo levava em conta a inflação do ano anterior, medida pelo INPC, mais o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Sem essa lei, o governo Jair Bolsonaro decidiu apenas repor as perdas.

Governo também teve que mudar valor em 2020

O salário mínimo de 2020 também foi alterado quando já estava em vigor. Em 31 de dezembro de 2019, o governo anunciou que o mínimo seria de R$ 1.039. Em janeiro, quando foi divulgado o INPC e ele ficou acima da projeção inicial, o valor foi ajustado para R$ 1.045.

Guedes já disse que aumento "condena ao desemprego"

Em setembro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que conceder um reajuste do salário mínimo durante a crise econômica decorrente da pandemia do coronavírus condenaria os trabalhadores ao desemprego.

"Hoje, se você der um aumento de salário mínimo, milhares e talvez milhões de pessoas serão demitidas. Estamos no meio de uma crise terrível de emprego. Dar aumento de salário é condenar as pessoas ao desemprego", disse Guedes durante audiência no Congresso Nacional.