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IPCA
1,35% Dez.2020
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Inflação fecha 2020 a 4,52%, acima do centro da meta; é a maior desde 2016

De arroz a laptop, bicicleta e colchão: veja o que ficou mais caro em 2020

Do UOL, em São Paulo

12/01/2021 09h02Atualizada em 12/01/2021 13h19

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial no país, fechou 2020 a 4,52%. Esse é o maior nível para um ano desde 2016, quando foi de 6,29%. Em 2019, a inflação foi de 4,31%.

O resultado ficou acima do centro da meta do governo para o ano passado, que era de 4%, mas dentro da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo (2,5%) ou para cima (5,5%).

Em dezembro, a inflação acelerou para 1,35%, após ficar em 0,89% em novembro. Foi a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (1,57%) e a maior para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%).

Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e se referem às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos.

Pandemia de covid-19

Quando a pandemia se abateu sobre a economia, provocando a recessão global, o IPCA chegou a registrar taxas negativas. Com as atividades paradas, os preços, especialmente de serviços, despencaram nos primeiros meses de isolamento social. Todas as previsões apontavam, na época, para um IPCA abaixo da meta do BC no ano passado.

O cenário virou a partir de meados do ano passado. Com a concentração da demanda em itens básicos e a alta do dólar, os alimentos para consumo em casa começaram a encarecer rapidamente. Além disso, o cenário foi influenciado pelo pagamento do auxílio emergencial.

Alimentos subiram 14,09%

A alta de 14,09% nos preços de alimentos e bebidas pesou no bolso dos brasileiros em 2020. O aumento foi o maior desde 2002 (19,47%).

Os preços do óleo de soja (103,79%) e do arroz (76,01%) dispararam no acumulado do ano passado. Outros itens importantes na cesta das famílias também tiveram altas expressivas:

  • leite longa vida (26,93%);
  • frutas (25,40%);
  • carnes (17,97%);
  • batata inglesa (67,27%);
  • tomate (52,76%).

Em dezembro (1,74%), os alimentos apresentaram desaceleração frente ao mês anterior (2,54%). Contribuíram para isso a queda nos preços do tomate (-13,46%) e as altas menos intensas nos preços das carnes (3,58%), do arroz (3,84%) e do óleo de soja (4,99%), cujas variações em novembro haviam sido de 6,54%, 6,28% e 9,24%, respectivamente.

Por outro lado, as frutas passaram de alta de 2,2% em novembro para aumento de 6,73% em dezembro.

Conta de luz e eletrodomésticos

A inflação do ano passado também foi puxada pelo grupo Habitação (5,25%). De acordo com o instituto, a alta foi influenciada pelo aumento da energia elétrica (9,14%).

No mês passado, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu adotar bandeira vermelha —uma taxa extra na conta de luz para compensar o maior uso de usinas térmicas, mais caras.

Os artigos de casa também pesaram mais, afirmou o IBGE, por causa do efeito dólar sobre os preços dos eletrodomésticos, equipamentos e artigos de TV, som e informática.

Em conjunto, alimentação e bebidas, habitação e artigos de residência responderam por quase 84% da inflação de 2020.

Gasolina fecha ano em queda de 0,19%

Os Transportes, que têm o segundo maior peso na composição do IPCA, fecharam o ano com alta de 1,03%.

"Tivemos quedas fortes, em abril e maio, por causa do preço da gasolina, que fechou o ano em queda (-0,19%), apesar das seis altas consecutivas de junho e dezembro. As passagens aéreas tiveram uma queda de 17,15% no acumulado ano, ajudando a puxar o resultado para baixo", afirmou Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.

Alta generalizada

Segundo o IBGE, a alta dos preços em 2020 foi generalizada em todas as 16 localidades pesquisadas. O município de Campo Grande (6,85%) teve a maior variação do ano, por causa das carnes e da gasolina. Veja os municípios que tiveram inflação acima da média nacional (4,52%):

  • Campo Grande (6,85%)
  • Rio Branco (6,12%)
  • Fortaleza (5,74%)
  • São Luís (5,71%)
  • Recife (5,66%)
  • Vitória (5,15%)
  • Belo Horizonte (4,99%)
  • Belém (4,63%).

Por outro lado, o menor índice ficou com Brasília (3,4%), com quedas nos preços das passagens aéreas (-20,01%), dos transportes por aplicativo (-18,71%), dos itens de mobiliário (-7,82%) e de hospedagem (-6,26%), informou o instituto.

Perspectivas

Desde que o encarecimento dos alimentos entrou no radar, em meados de 2020, economistas vêm apontando para o caráter temporário da alta.

Mesmo que a inflação de alimentos venha se prolongando —o que afeta, sobretudo, as famílias mais pobres—, esse caráter temporário segue no cenário dos analistas. O mesmo vale para a conta de luz, já que a taxa adicional da Aneel se deve ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas por falta de chuvas.

Para 2021, as projeções apontam para uma inflação de 3,3%, diante de uma meta do BC mais baixa que a deste ano, de 3,75%, com a mesma margem de 1,5 ponto para mais ou para menos.

(Com Estadão Conteúdo)