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Caminhoneiros: rodovias têm fluxo livre após bloqueio na BA, diz governo

Caminhoneiros fazem protesto ontem (1º) na Rodovia Castello Branco, em SP; tentativa de bloqueio na Bahia fracassou  - Ronaldo Silva/Estadão Conteúdo
Caminhoneiros fazem protesto ontem (1º) na Rodovia Castello Branco, em SP; tentativa de bloqueio na Bahia fracassou Imagem: Ronaldo Silva/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

02/02/2021 09h27

O Ministério da Infraestrutura e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) informaram que, na noite de ontem (1º), caminhoneiros tentaram fazer um novo bloqueio na BR-324/BA, próximo a Feira de Santana (BA). Porém, a ação durou cerca de 20 minutos, sendo desmobilizada na sequência.

No momento, segundo o PRF, todas as rodovias federais, concedidas ou sob gestão do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), encontram-se com o livre fluxo de veículos, não havendo nenhum ponto de retenção total ou parcial.

Durante o dia de ontem foram registradas algumas ações isoladas de caminhoneiros depois que uma greve foi convocada por setores da categoria. A adesão geral, porém, foi considerada baixa.

Não há registro de tentativas de bloqueio hoje (2).

Governo vê fracasso em greve

Principal articulador do governo com os caminhoneiros, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse ontem que a convocação de greve fracassou, mas deixou lições. Na avaliação do ministro, os caminhoneiros mostraram que estão ganhando maior consciência da realidade do mercado e que a tentativa de uso político do movimento acabou culminando com a baixa adesão.

"Eles sentiram o cheiro de uso político e isso foi decisivo para o afastamento dos caminhoneiros da greve", afirmou o ministro em entrevista à coluna. "A primeira lição que tivemos hoje é que o caminhoneiro não se deixa enganar e sabe que não é qualquer liderança que o representa".

Tarcísio afirmou que desde o início do governo mantém diálogo com a categoria e que, mesmo descentralizados, o caminhoneiro está buscando uma profissionalização, por meio de associações e cooperativas.

"Existe uma dificuldade de representação orgânica, mas hoje ficou provado que não é qualquer um que se auto intitula líder dos caminhoneiros. Houve um chamamento de greve por parte de pessoas que não tinham liderança", disse.

Greve não era consenso na categoria

Caminhoneiros de todo o país prometem iniciar ontem uma greve por tempo indeterminado. A adesão à paralisação, porém, nunca foi consenso.

As principais entidades à frente da convocação são a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), a ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), e o CNTRC (Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas).

Outras entidades são contra a manifestação, inclusive algumas que participaram da greve de 2018, como a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) e a Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Autônomos).

Os caminhoneiros reclamam da alta do preço de combustíveis e são contra a política da Petrobras, baseada na paridade com os preços internacionais.

Outros pontos questionados são os baixos preços dos fretes e o descumprimento da lei que prevê o piso mínimo de fretes, medida cuja constitucionalidade está para ser analisada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Também pedem mudanças na BR do Mar, o marco regulatório do transporte marítimo, que incentiva a navegação por cabotagem, ou seja, entre os portos do país, além de melhores condições de trabalho, incluindo alterações nas regras de jornada e aposentadoria especial.

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