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Vendas no comércio caem 6,1% em dezembro, mas fecham 2020 com alta de 1,2%

Feirinha Estação Brás, na avenida Rangel Pestana; vendas no varejo caíram 6,1% em dezembro  - Marcelo Oliveira/UOL
Feirinha Estação Brás, na avenida Rangel Pestana; vendas no varejo caíram 6,1% em dezembro Imagem: Marcelo Oliveira/UOL

Do UOL, em São Paulo

10/02/2021 09h08Atualizada em 10/02/2021 12h50

As vendas no varejo brasileiro recuaram 6,1% em dezembro na comparação com o mês anterior e fecharam 2020, ano marcado pela pandemia do novo coronavírus, com alta de 1,2%.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 0,5% na comparação mensal e de avanço de 6% sobre um ano antes.

É a quarta vez consecutiva que o comércio apresenta alta anual: 2,1% em 2017; 2,3% em 2018 e 1,8% em 2019.

Em dezembro de 2020, o volume de vendas do comércio varejista caiu 6,1% na comparação com novembro, na série com ajuste sazonal, após ter variado -0,1%. É a queda mais intensa para um mês de dezembro de toda a série histórica, iniciada em 2000.

As informações foram divulgadas hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e fazem parte da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

Na série sem ajuste sazonal, frente a dezembro de 2019, o comércio varejista teve aumento de 1,2%, sexta taxa positiva consecutiva. O quarto trimestre terminou com recuo de 0,2% das vendas na comparação com os três meses anteriores, depois de salto de 15,5% no terceiro trimestre.

Com esses resultados, o varejo terminou o ano passado no mesmo patamar de fevereiro de 2020, período pré-pandemia. Depois de fortes quedas em março e abril, o setor varejista registrou crescimento de maio até outubro, ultrapassando o patamar pré-pandemia, mas voltou a contrair nos últimos dois meses do ano.

O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explicou que a pandemia impactou diretamente a trajetória de resultados da PMC ao longo do ano.

"Os resultados da pesquisa costumam ter variações menores, mas com a pandemia, houve uma mudança deste cenário, já que tivemos dois meses (março e abril) de quedas muito grandes", afirmou, em comunicado divulgado pelo IBGE.

Dez atividades caem em dezembro

O IBGE mostrou que em 2020 cinco das dez atividades do comércio varejista, contando com varejo ampliado, tiveram alta. Os destaques foram material de construção (10,8%), móveis e eletrodomésticos (10,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (8,3%).

Já em dezembro, todas as dez atividades fecharam com queda frente a novembro. As vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 13,8%, enquanto as de tecidos, vestuário e calçados recuaram 13,3%.

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que respondem por quase metade do resultado total da pesquisa do varejo, apresentaram queda de 0,3% nas vendas do mês, em resultado influenciado pela inflação de alimentos.

"Ao longo do ano de 2020 o auxílio emergencial teve impacto significativo. O consumo extra das famílias de baixa renda tem a ver com o auxílio, isso fez com que a atividade tivesse um bom desempenho", disse Santos.

"Em dezembro a queda tem ligação com o menor volume de recursos por conta da redução do auxílio emergencial", completou.

As vendas varejistas foram alavancadas pelo pagamento do auxílio emergencial do governo e pelo relaxamento das medidas de contenção ao coronavírus, após atingirem o fundo do poço em abril diante das medidas restritivas adotadas para reduzir a disseminação do vírus.

No final do ano, o varejo sofreu com o aumento da inflação, e a recuperação agora passa ainda por uma retomada do trabalho, que vem enfrentando mais dificuldades.

* Com informações da Reuters