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Bolsonaro repete Dilma e cria nuvem de incerteza, diz ex-ministro

Maílson da Nóbrega foi ministro da Fazenda durante o governo Sarney - Folhapress
Maílson da Nóbrega foi ministro da Fazenda durante o governo Sarney Imagem: Folhapress

Do UOL, em São Paulo

22/02/2021 18h26

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega criticou duramente hoje a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de interferir no comando da Petrobras, com a indicação do general Joaquim Silva e Luna para a presidência da estatal, feita na última sexta-feira (19). Maílson da Nóbrega disse que vê Bolsonaro seguindo os mesmos passos da ex-presidente Dilma Rousseff e que a atitude "criou uma nuvem de incertezas na Petrobras."

"Bolsonaro, ironicamente, está seguindo os passos da Dilma Rousseff, que interveio na Petrobras, interveio na energia elétrica com a MP [Medida Provisória] 579, interveio no Banco do Brasil forçando a baixa de juros. Agora, corre no mercado que o presidente do Banco do Brasil vai ser demitido", afirmou o chefe da Fazenda do ex-presidente José Sarney (MDB) em entrevista à CNN Brasil.

Maílson da Nóbrega lembrou as tentativas de Dilma de controlar o aumento de preços ao consumidor na Petrobras e nas concessionárias de energia, assim como a redução dos juros nos bancos estatais para forçar a queda em outras instituições bancárias. Apesar de conseguir controlar a inflação momentaneamente, as ações resultaram em prejuízos para a Petrobras e em aumentos posteriores na conta de energia.

"É uma interferência desastrosa na Petrobras porque gera incerteza. Será que amanhã ele vai demitir o presidente do Banco do Brasil? Será que vai repetir a Dilma e controlar os preços da energia elétrica? Mercados funcionam em ambientes de mínima previsibilidade em que as regras funcionam, são estáveis, isso não está acontecendo", acrescentou o ex-ministro.

"Acho que é uma intervenção horrível e de certa forma humilhante para o ministro da Economia [Paulo Guedes]", resumiu.

Além da troca no comando da Petrobras, feita após recentes aumentos no diesel e na gasolina causarem a insatisfação dos caminhoneiros - uma das bases de apoio do presidente da República -, Bolsonaro também já indicou que gostaria de interferir no Banco do Brasil, que tem o presidente André Brandão à frente da instituição.

"O presidente diz uma coisa hoje, diz outra amanhã, age de uma forma hoje, diferente depois de amanhã. Isso torna o presidente uma pessoa não confiável para os mercados. Ele pode mudar a regra do jogo ao seu bel-prazer e interesses eleitorais. O que ele quer é se eleger, contentar os caminhoneiros, mas ele não pode fazer isso ao custo da Petrobras", concluiu Maílson da Nóbrega.

O ex-ministro esteve à frente da Fazenda entre os anos de 1988 e 1990 e ficou conhecido por implementar o Plano Verão, o quarto plano econômico do governo Sarney. Assim como os anteriores, o plano fracassou no seu objetivo principal, que era controlar a inflação. Nos últimos meses do governo Sarney, a inflação ficou acima dos 80% mensais.

Sobre a troca no comando da Petrobras, apesar de Bolsonaro ter indicado Silva e Luna, o atual presidente Roberto Castello Branco segue no comando da estatal até 20 de março, quando acaba o seu mandato.

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